terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Dormir Pouco Engorda?

Com um número crescente de estudos que identificam a conexão direta entre falta de sono e ganho de peso, é difícil negar a relação causa-efeito. Pessoas que dormem ao menos sete horas por noite tendem a ter menos gordura corporal do que pessoas que não dormem essa quantidade de horas. Evidentemente, há outros fatores que favorecem ou não o ganho de peso como quantidade de comida ingerida, exercícios e genes. O sono tem um papel mais importante no processo do que a maioria das pessoas imagina.
Em um estudo envolvendo 9 mil pessoas entre 1982 e 1984 (NHANES I -em inglês), os pesquisadores descobriram que pessoas que dormem uma média de seis horas por noite têm 27% mais chances de ficar acima do peso em relação aos indivíduos que dormem entre sete a nove horas; aqueles que dormem uma média de cinco horas por noite tinham uma propensão 73% mais alta de ficar acima do peso.
Muitas das pessoas que dormem pouco nem sabem disso. Muitos acham que a quantidade de horas que uma pessoa deve dormir para ser saudável e ativa varia, mas a maioria dos pesquisadores discorda, estabelecendo sete horas como o mínimo para todos, exceto para os muito jovens e muito idosos. Além dos números precisos, há uma série de aspectos que indicam se você tem dormido pouco, incluindo:
•ficar sonolento durante boa parte do dia, especialmente durante a manhã;

•pegar no sono à noite em poucos minutos.

A maioria das pessoas com sono normal leva em torno de 15 minutos para pegar no sono à noite. Insônia crônica e falta de sono quando se vai para a cama são boas indicações de que não se tem dormido o suficiente.

Se você estiver dormindo pouco, talvez haja alguma ligação com a obesidade, a exemplo da prática de atividade física que tende a ser menos recorrente entre pessoas que sofrem de insônia crônica. Mas há também uma série de aspectos que acontecem no corpo que podem contribuir para ganho de peso. Estudos científicos apontam que os principais efeitos decorrentes da falta de sono são os distúrbios hormonais, especificamente os que envolvem os hormônios leptina e grelina.
Quando não se descansa o suficiente por meio do sono, o corpo fica com baixa leptina e muita grelina.
O hormônio leptina está intrinsecamente relacionado à regularização do apetite, metabolismo e queima de calorias. Leptina é a substância química que informa ao cérebro quando se está satisfeito, quando se deve começar a queimar calorias e, conseqüentemente, quando se deve produzir energia para o corpo usar. A leptina provoca uma série de mensagens e respostas que começam no hipotálamo e terminam na glândula tireóide. A glândula tireóide controla a forma como o corpo armazena e gasta energia.
Durante o sono, os níveis de leptina aumentam, informando seu cérebro que você tem energia suficiente para o momento e que não há necessidade de sentir fome ou queimar calorias. Quando você não dorme o suficiente, acaba ficando com pouca leptina no corpo, o que faz seu cérebro pensar que não tem energia suficiente para suas necessidades. Dessa forma, o cérebro avisa que você está com fome (mesmo que você pense que não precisa comer naquele momento) e armazena as calorias que você ingere para que tenha energia suficiente na próxima vez que precisar. A diminuição de leptina causada pela falta de sono pode resultar em sensação constante de fome e uma desaceleração geral de seu metabolismo.

O outro hormônio relacionado ao sono e ao peso é a grelina. O objetivo da grelina é, basicamente, o oposto exato da leptina: ela informa a seu cérebro quando você precisa comer, quando deve queimar calorias e quando deve armazenar energia na forma de gordura. Durante o sono, os níveis de grelina diminuem, porque o corpo adormecido requer bem menos energia do que o corpo desperto. Pessoas que não dormem o suficiente acabam tendo muita grelina no corpo. O corpo pensa que está com fome e precisando de mais calorias. Assim pára a queima de calorias por acreditar que há carência de alimentos.
Alguns cientistas consideram a hipótese de que essas mudanças hormonais que acontecem durante o sono resultam de um processo involuntário que remete aos seres humanos que eram capazes de sobreviver à falta de alimentos durante o inverno. Tradicionalmente, o inverno possui noites longas e pouco alimento, enquanto o verão possui noites mais curtas e abundância de comida. Nas noites mais curtas dorme-se menos e há menos leptina e mais grelina, fazendo o corpo ingerir o máximo possível de alimentos e poupar calorias para o longo inverno adiante. No inverno dorme-se mais, o que representa mais leptina e menos grelina. Ambas informam o corpo quando é hora de queimar aquelas calorias armazenadas durante o inverno.
O problema da falta de sono sempre foi associado ao aumento dos níveis dos hormônios do estresse e da resistência à insulina, que também contribuem para o ganho de peso. Resistência à insulina também pode causar a diabetes do tipo 2.
A Fundação Nacional do Sono (National Sleep Foundation) oferece as dicas a seguir para ajudar você a ter certeza quanto à quantidade de sono necessária para seu corpo funcionar corretamente:
•tente ter como objetivo uma noite de sono de sete a nove horas por noite;

•aumente o nível de exercício, mas evite praticar atividades três horas antes de se deitar;

•Não tome cafeína ou álcool perto da hora de ir dormir - a cafeína pode manter você acordado e o álcool pode alterar os estágios normais de seu sono.

Julia Layton. "HowStuffWorks - Dormir pouco engorda?". Publicado em 06 de outubro de 2006 (atualizado em 14 de abril de 2008) http://saude.hsw.uol.com.br/sono-e-obesidade.htm (24 de janeiro de 2011)


Um comentário:

Marcelinha disse...

Eu sei que preciso dormir 8 horas por noite. Acontece que eu também preciso de 20 horas uteis no dia. Então fico no dilema.
Durmo as 8 horas, mas não faço tudo que deveria durante o dia. Ou durmo só 4, e aproveito mais o dia.