sábado, 9 de outubro de 2010

Sobre corrimentos vaginais

Muitas de nós têm dúvidas a respeito das secreções que podem sair da vagina.
Corrimento vaginal é um dos mais comuns e mais incômodos problemas que afeta a saúde da mulher e é uma das causas mais freqüentes de visita ao médico ginecologista e ocorre em cerca de 1/3 das mulheres pelo menos uma vez na vida.
Só para esclarecer, a vagina não é seca! E se fosse, traria grande desconforto no local.
O que precisamos aprender é diferenciar o que é a secreção habitual, fisiológica ou natural, do famoso corrimento.
A secreção vaginal normal é clara, fluida e sem cheiro. Formada pela descamação celular da parede do canal da vagina, influenciada pelos hormônios femininos, além de produtos produzidos pela flora bacteriana local habitual. Sua quantidade varia durante o ciclo menstrual. Assim que acabamos de menstruar, ela é bem fluida e transparente e em pequena quantidade, próximo à ovulação o corrimento é mais viscoso e em maior quantidade- parecendo com uma clara de ovo, e quando estamos perto de menstruar novamente, ele é branquinho levemente espesso e quando seca, esfarela na calcinha.
Também temos uma secreção vaginal aumentada e normal no período de excitação sexual que antecede as relações sexuais.
Quando a criança está entrando na adolescência, e inicia o desenvolvimento dos caracteres sexuais, os ovários começam a ser estimulados a funcionar para que a menstruação ou a ovulação comece a acontecer e essa produção de hormônios femininos influencia o epitélio da vagina que passa a produzir essa secreção fisiológica, e muitas vezes este fato leva a preocupação materna, com medo que ela possa ter adquirido alguma doença.
Corrimento vaginal, ou leucorréia, é definido como a presença de uma secreção aumentada na vagina com características diferentes da normal, isto é, com odor, coceira, irritação local, irritação na pele do parceiro, ou simplesmente, um volume muito grande de fluido vaginal que chega a incomodar. Freqüentemente ocorre quando há desequilíbrio entre os diferentes microorganismos que habitualmente se encontram na vagina e no períneo causando uma inflamação. Geralmente está associado a sintomas e também há casos em que pode levar a dor durante as relações sexuais. Mas é importante lembrar que o fato de estar com corrimento anormal NÃO quer dizer que contraímos uma doença sexualmente transmissível.
Há alguns fatores que podem facilitar o aparecimento de corrimento anormal. O meio vaginal normal tem uma acidez própria (ácido láctico) produzida pelos lactobacillos que são bactérias que colonizam normalmente a vagina constituindo o que chamamos de flora vaginal, que serve para manter o equilíbrio entre a vagina e o meio externo. A alteração deste equilíbrio ou a entrada de microrganismos estranhos seja por contágio sexual ou por outras bactérias não próprias da vagina, como intestinais, por exemplo,leva à inflamação da vagina com alteração das suas secreções normais.Os principais fatores que podem alterar o equilíbrio da flora vaginal porque podem diminuir a sobrevida dos lactobacilos e mudar o ph vaginal são:
stress, freqüência de relações sexuais, antibióticos, uso de anticoncepcionais hormonais, uso de roupas apertadas e com tecidos sintéticos,alterações hormonais do ciclo menstrual, da gravidez e da menopausa, higiene inadequada, alergias,hábitos alimentares inadequados.
Para prevenção, use sabonete neutro ou produtos apropriados para a higiene da região genital. Evite os sabonetes comuns e os que contêm cremes hidratantes. Esses são ótimos para a pele, mas péssimos para a vagina. Pode-se ter dois sabonetes, um para as mucosas, outro para o resto do corpo
As causas mais freqüentes de corrimentos infecciosos são :
  • a vaginose bacteriana ( disfunção da flora normal, provocada pela bactéria Gardnerella, tem um cheiro característico),
  • a candidíase( os fungos proliferam em situações favoráveis, causando muita coceira local)
  • a trichomoníase( é transmitida por contato sexual e pode causar algum prurido).
Quando o corrimento alterado provém de uma infecção do colo do útero (cervicite) Temos que pensar também em gonorréia e a infecção por clamydia.
O corrimento aumentado também pode ser um sinal inespecífico de alerta para rastrearmos a infecção pelo HPV( vírus que pode levar ao câncer de colo uterino)
Por isso a presença de corrimento anormal requer que se peça o exame de Papanicolau, um exame de prevenção contra o câncer ginecológico.
É bom esclarecer que nos, casos de corrimentos vaginais, o diagnóstico clínico tem muito valor. Portanto, uma visita ao ginecologista é indispensável. Nem sempre exames de laboratório negativos significam ausência de problemas.
 Existem corrimentos crônicos causados por fatores irritantes como papel higiênico colorido e perfumado e sabão em pó e amaciante de roupas.Corrimentos por excesso de lactobacilos ( com sintomas semelhantes ao da candidíase), por alterações hormonais como na gravidez e menopausa (com prurido por atrofia), e corrimentos por alergias,que são exemplos de causas comuns não infecciosas e que a própria mulher, nestes casos, precisa identificar o fator irritativo.
O tratamento correto depende da causa do corrimento. Quando se trata de corrimento crônico, o simples tratamento muitas vezes não será suficiente para evitar a recidiva/recorrência (retorno do corrimento), haverá necessidade da colaboração da mulher que será quem vai "descobrir" a causa dos mesmos fazendo uma investigação em seus hábitos.
Da mesma maneira, o tratamento nem sempre será apenas com remédios, mas também vai requerer mudança de hábitos, de roupas e ajuda do parceiro. Em alguns casos, os medicamentos podem até piorar os sintomas, mas se a indicação estiver correta, o resultado final será satisfatório.
Entretanto, em alguns corrimentos é imprescindível o tratamento do parceiro para evitar a possibilidade de reinfecção.

 Seu médico ginecologista é seu aliado para manter a saúde dos seus órgãos genitais. Evite a automedicação, pois, além dos medicamentos serem caros, têm efeitos colaterais. A automedicação é uma das principais causas dos corrimentos crônicos.