terça-feira, 24 de agosto de 2010

Histerectomia por quê?


Certamente várias mulheres com miomas já se perguntaram ao sair do consultório do ginecologista:
Por quê meu médico indicou a retirada do meu útero?
Acreditem, existe uma explicação, ou melhor, várias explicações. Como todos sabemos, com as diversas alternativas existentes, a histerectomia (retirada do útero) é, em quase na totalidade das vezes, desnecessária para o tratamento dos miomas. Então, por quê será que a maioria dos médicos ainda indicam a histerectomia como a primeira opção de tratamento? As considerações são as seguintes.
A histerectomia é, sem sombra de dúvida, a cirurgia mais cobiçada e realizada durante a residência médica. Tradicionalmente, sempre foi a melhor e a única opção para tratar os miomas. E, hoje, a falta de recursos da maioria dos serviços de residência médica não permite procedimentos diagnósticos e terapêuticos capazes de se tentar, com maior certeza de sucesso, o tratamento dos miomas sem a retirada do útero. Por isso, raramente as miomectomias e outros tratamentos como a embolização dos miomas são realizados. Portanto, o ginecologista quase sempre termina a residência médica com um número insuficiente de miomectomias realizadas, conferindo uma experiência insatisfatória na sua formação profissional.
A histerectomia é mais fácil do que uma miomectomia. Sim, isto pode parecer um contrasenso, mas é a mais pura verdade. A histerectomia é, na maioria das vezes, uma procedimento repetitivo e com pouquíssimas variações anatômicas. Isto torna a histerectomia um procedimento relativamente simples e previsível, demandando uma curva de aprendizado menor do que da miomectomia. A histerectomia se resume em desconectar o útero dos ligamentos que o prendem à pelve, ligar (ocluir) e seccionar (cortar) os vasos sanguíneos que nutrem o útero e, por fim, retirar o útero. Com isso, invariavelmente, a retirada de um útero raramente ocorre em mais de uma hora e meia. Já a miomectomia, diferentemente da histerectomia, é um procedimento singular, variando de paciente para paciente. Nunca uma miomectomia é igual a outra. Vários fatores irão influenciar a abordagem conservadora do útero. Localização e número de miomas são os principais. Esses dois fatores combinados fazem com que tenhamos uma infinidade de variações. Logo, para um ginecologista estar apto a realizar uma miomectomia com segurança para a paciente e com uma possibilidade maior de preservação do útero, é necessário que ele tenha um tempo de treinamento e um número de cirurgias suficientemente grande a ponto de qualquer dificuldade intra-operatória ser superada sem problemas.
E o mais triste de todos os motivos. A remuneração dos convênios, baseados na tabela da AMB (Associação Médica Brasileira) e na CBHPM (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos) por uma histerectomia é maior do que por uma miomectomia. Então, pode até parecer cruel, mas sem dúvida, creio que este seja um dos principais motivos. Vejamos os seguintes pontos. Uma histerectomia é mais fácil de ser aprendida. Uma histerectomia é mais simples de ser realizada por ser mais previsível. O tempo necessário para se realizar o procedimento de histerectomia é menor e mais previsível do que de uma miomectomia, possibilitando agendar duas ou mais cirurgias seguidas. E, finalmente, o ganho com uma histerectomia é sempre maior do que com uma miomectomia.
Agora podemos entender alguns dos reais motivos pelo qual alguns ginecologistas desencorajam outros tratamentos, que não a histerectomia, para tratar os miomas. Claro que não podemos generalizar. Sempre existem médicos que estão afinados com a evolução da medicina e com os desejos de suas pacientes.

Então, ao ouvir de seu médico "Você está com miomas, vamos retirar o seu útero" sugiro que, inicialmente, apenas duas perguntas sejam feitas a ele:
1) Por que está sendo indicado a retirada do útero?
2) Quais são as outras alternativas à retirada do útero que está sendo proposta?

Se uma das respostas for:
1) O seu útero não serve mais para dar filhos, somente para dar câncer.
2) A preservação do seu útero é impossível.
3) Não existem outros tratamentos.
4) A histerectomia é o melhor tratamento. (sem que lhe seja apresentada outras alternativas)

Procure uma segunda opinião e faça valer seus desejos e seu direito de preservar seu útero, e junto com ele sua feminilidade, sua fertilidade e tudo mais que ele possa significar para você. (Dr Michel Zelaquett)http://www.portaldomioma.com/