sexta-feira, 16 de julho de 2010

Você quer engravidar?


Maria Luiza Campos

Jornal Diário da Manhã- 10 de julho de 2010

A sociedade contemporânea impõe conceitos, padrões e estilos de vidas que, muitas vezes, pressionam o ser humano a comportamentos incompatíveis às reações normais em épocas passadas. Outros, porém, seguem a cartilha de hábitos e valores perpetuados de geração em geração.

O desejo feminino, quase que nato de engravidar, é um desses valores que as mulheres carregam por toda a história da humanidade. Ainda hoje ocorrem em determinadas sociedades a obrigatoriedade da mulher em gerar descendentes, quer por motivos religiosos, culturais ou sociais. Uma notícia de impossibilidade de engravidar, muitas vezes, leva as mulheres à frustração, desgosto e baixa auto-estima, afetando invariavelmente suas vidas.

Atualmente, existem boas opções de tratamento para que a mulher obtenha sucesso nesta busca e o sonho de ser mão não precisa ser somente uma condição natural. A medicina é uma grande aliada no processo.

Vale destacar que o ideal é que as coisas fluam normalmente. Forçar e manipular horários para o ato sexual, por exemplo, pode trazer frustração a ambos (homem e mulher), além de se perder totalmente a espontaneidade deste ato, pois não há garantia de que a gravidez ocorra deste momento. A impaciência, as conversas de comadre normalmente não ajudam em nada.

É natural que dos atos sexuais entre homens e mulheres ocorram uma gravidez. Contudo, passado determinado tempo, - que pode ser estipulado em um ano, por exemplo, em que a desejada gravidez não ocorra, é valida uma avaliação para se verificar as condições de saúde da mulher, sua fisiologia menstrual e ovulatória, e as características do espermograma do companheiro. Conforme o caso pode ser necessário induzir a ovulação ou encaminhá-la para a inseminação artificial.

Do aparelho reprodutor feminino fazem parte a vagina, o útero, as tubas uterinas e os dois ovários, onde são produzidos os óvulos e os hormônios estradiol e progesterona. Enquanto os homens produzem milhões e milhões de espermatozóides ao longo da vida, salvo raríssimas exceções, as mulheres investem tudo na produção de um único óvulo por mês. Essa célula será disputada pelos espermatozóides que, depositados na vagina, terão de atravessar o colo do útero e percorrê-lo inteiro até alcançar as trompas onde se dará a fecundação pelo que for mais veloz e mais apto. Por volta de cinco dias depois, o óvulo fecundado é empurrado pelas trompas e, como se estivesse escorregando num tobogã, chega ao útero onde se fixa. Só então começa a desenvolver-se. Esse processo está sujeito a muitos erros, tanto que grande número de fecundações termina num abortamento espontâneo depois de pequeno atraso menstrual que passa despercebida. A gravidez pode acontecer quando menos se espera. Em alguns casos, porém, quanto mais o casal a deseja, parece mais difícil de acontecer.

Antigamente se acreditava que os problemas se restringiam exclusivamente à mulher. Na verdade, em apenas um terço dos casais com dificuldade para conseguir uma gravidez, a dificuldade é exclusiva da mulher. Outro terço se deve a uma anomalia referente ao homem e, em aproximadamente 40% dos casos, a uma pequena associação de dificuldades dos dois parceiros.

Conclusivamente, se pode afirmar que de todos os casais que tentam a gravidez, mais ou menos 10% vão precisar de algum tipo de ajuda para levar adiante o processo. Em um terço desses 10%, as causas seriam femininas; no outro terço, masculinas e, no terço restante, seriam atribuídas à associação de dificuldades dos dois componentes do casal. É neste ambiente de avaliação inicial que a Ginecologia Endócrina se apresenta, por tratar-se de especialidade da ginecologia que visa o estudo fisiológico da formação do óvulo feminino e da investigação de seus distúrbios.

Fundamentada nesta especialidade, estudos comprovam que mais da metade dos casos de infertilidade pode ser resolvido com o exame de espermograma.

Descartada essa possibilidade, parte-se para o levantamento da história clínica da mulher. Há de se saber se há ovulação e menstruação regular (o fato de menstruar regularmente julga a favor de um processo de ovulação normal) e, ainda, se algum fato possa sugerir que tenha havido uma infecção na pelve que possa ter comprometido as trompas. Além disso, fortes cólicas menstruais podem ser sinal de endometriose, uma doença que é causa importante para a dificuldade para engravidar.

A história clínica norteia o início da investigação, que continua com exames laboratoriais e de imagem para confirmar se a paciente tem mesmo ovulação, se suas trompas são permeáveis, ou se tem algum problema no colo do útero ou dentro da cavidade uterina que impede ou dificulta a concepção. Com base nesses dados, delineia-se desde a continuidade do procedimento de investigação até o tipo de tratamento necessário para o casal levar adiante o projeto da gravidez.

Realizados esses exames iniciais, - o espermograma do marido e a avaliação anatômico-funcional do aparelho reprodutor da mulher, e não se verificando nada que justifique a dificuldade para engravidar, se conclui para o diagnóstico de “Esterilidade Sem Causa Aparente”, também conhecido pela sigla ESCA. Portanto, feitos todos os exames disponíveis, constatado que o casal tem vida sexual regular, onde não ocorra nenhuma disfunção no ato sexual (fator que precisa ser investigado) e não se constatando uma causa sequer que justifique a dificuldade para engravidar, parte-se para a seqüência terapêutica, que consiste em estimular a ovulação, - mesmo se sabendo que a paciente ovula, para determinar com precisão o dia em que ela vai ocorrer, a fim de aumentar a freqüência das relações sexuais nesse período.

Assim, após a constatação do insucesso da mulher engravidar, - apesar do estímulo hormonal, de a ovulação ter ocorrido no dia certo e da relação sexual ter se dado no período conveniente, caminha-se para o passo seguinte, sendo a ser a Reprodução Assistida.

Quando estes métodos não funcionam, existem recursos que buscam melhorar a resposta imunológica da paciente. Mulheres que fazem ciclos repetidos de fertilização e não conseguem engravidar podem ter o sistema imunológico com propensão a hiper-reatividade. Elas hiper-reagem à presença do corpo parcialmente estranho que é o embrião. Nesse caso, o procedimento indicado é fazer uma inoculação de leucócitos, isto é, dos glóbulos brancos do parceiro no organismo da mulher para que seu sistema imunológico mude as características de resposta imune e ofereça uma resposta de proteção para o embrião o que não aconteceria sem o tratamento.

Vale ainda ressaltar que o tempo do tratamento pode variar dependendo das características pessoais da paciente, sem precisão exata, ocorrendo em casos particulares a duração entre 02 a 05 anos, contudo, em situações otimistas, este ciclo podendo ocorrer entre 03 a 06 meses.

Um comentário:

Priscila silva dos santos bomfim disse...

olá meu nome é Priscila tenho 24 anos sou casada ha 4 anos desde então tento engravida parei de tomar perlutan no ano em q eu casei,até hoje não consigo engravidar ntenho um cintomas meio estra dor abdominal sem mestruação muita cólica mestrual,dres durante a relação e esse mes de agosto a mestruação não veio fiz o teste de farmácia e deu negativo e fiz uma tranvagianl e esta tudo bem,mas não sei o metivo pelo qual não engravido,fui a varios ginecologista mas eles falam que é ansiedade.qual seria um exame que minha ginecologista poderia me receitar para que eu venha saber o metivo de eu não engravida muita grata Priscila.
meu e-mail é priscilasil18@yahoo.com