sexta-feira, 30 de julho de 2010

Incontinência urinária e estudo urodinâmico - Maria Luiza Campos - Diário da Manhã


A incontinência urinária é um sintoma desagradável que piora a qualidade de vida das pessoas, prejudicando as atividades diárias e levando a problemas emocionais, tais como, ansiedade, neurose, depressão, além de acarretar disfunções sexuais. Apresenta-se em mulheres de todas as idades e não é um processo inevitável ou irreversível do envelhecimento. É uma condição médica que apresenta diversas causas e com ótimas soluções para o seu tratamento. Este problema além do desconforto físico, gera constrangimento para as pacientes, que se reflete na piora de sua qualidade de vida. Embora não seja uma doença, mas sim uma condição, a perda involuntária de urina não é normal, devendo ser investigada e tratada adequadamente.
O exame urodinâmico tem contribuído para melhor entendimento da fisiologia dessas disfunções miccionais, pois avalia as funções da bexiga através da aplicação de princípios da hidrodinâmica.
A aplicação da urodinâmica permite selecionar opções terapêuticas alcançando melhores resultados de tratamento.
O objetivo é demonstrar através de monitorização da micção, ambulatorialmente, doenças ou transtornos envolvidos no armazenamento, transporte e esvaziamento da urina.
Portanto, pacientes com alterações miccionais podem se beneficiar de uma investigação urodinâmica: o exame pode compreender desde uma simples urofluxometria a um complexo estudo de pressão intravesical e abdominal.
A urofluxometria é o exame mais elementar e o seu principal objetivo é obter uma amostra do fluxo urinário que represente o padrão usual do paciente.
O exame cistométrico é a única possibilidade de demonstração da presença de contrações vesicais involuntárias, o que leva ao diagnóstico de hiperatividade vesical. Através deste exame, podem ser avaliadas as condições pressóricas de armazenamento, observando-se a presença de alterações na complacência vesical.
Os estudos de fluxo-pressão estabelecem com segurança o diagnóstico de obstrução urinária infravesical, pois possibilitam a monitorização da pressão intravesical simultânea ao fluxo.
Assim, através do estudo urodinâmico podemos verificar:
-Incontinência urinária de esforço: É a perda de urina quando o abdômen está sob condição de aumento de pressão.(Quando qualquer esforço físico, como tossir, espirrar, dar risada, carregar peso, ou ainda, levantar da cama, pode resultar em perda urinária);
-Urgeincontinência (bexiga hiperativa): O paciente tem uma vontade súbita e urgente para urinar, acompanhada de perda incontrolável de urina;
-Incontinência urinária mista: É a combinação das duas formas descritas acima;
-Incontinência paradoxal : A bexiga não consegue esvaziar completamente.(O jato urinário é fraco. A paciente urina frequentemente e apresenta perda ou gotejamento urinário).
Enfim, a avaliação urodinâmica é um método complementar de diagnóstico valioso quando bem indicado. Não pode, não deve e não substitui uma boa anamnese e um cuidadoso exame físico. Apenas complementa e confirma ou afasta hipóteses diagnósticas e, em alguns casos, revela o prognóstico. Na avaliação urodinâmica é muito importante a boa relação médico-paciente, pois sabe-se que o fator emocional tem considerável influência na função miccional. Trata-se, portanto, de uma importante ferramenta no diagnóstico, prevenção e controle clínico dos males que atingem o trato urinário inferior e, indiretamente, o superior.
Então você deve procurar um médico quando surge:
- Perda do controle urinário que prejudique suas atividades físicas, sociais e sexuais.
- Perda de urina ao tossir, espirrar, carregar uma sacola de compras, fazer qualquer esforço.
- Você precisa correr ao banheiro no primeiro desejo de micção, mas não consegue chegar a tempo e perde urina.
- Você precisa urinar muitas vezes durante o dia e mais de 3 vezes à noite.
- Você sente dor durante a micção ou quando a bexiga está cheia.
- Você não consegue urinar adequadamente logo após uma cirurgia.
- Você apresenta infecções urinárias repetidas.
- O jato urinário está ficando fraco.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Você quer engravidar?


Maria Luiza Campos

Jornal Diário da Manhã- 10 de julho de 2010

A sociedade contemporânea impõe conceitos, padrões e estilos de vidas que, muitas vezes, pressionam o ser humano a comportamentos incompatíveis às reações normais em épocas passadas. Outros, porém, seguem a cartilha de hábitos e valores perpetuados de geração em geração.

O desejo feminino, quase que nato de engravidar, é um desses valores que as mulheres carregam por toda a história da humanidade. Ainda hoje ocorrem em determinadas sociedades a obrigatoriedade da mulher em gerar descendentes, quer por motivos religiosos, culturais ou sociais. Uma notícia de impossibilidade de engravidar, muitas vezes, leva as mulheres à frustração, desgosto e baixa auto-estima, afetando invariavelmente suas vidas.

Atualmente, existem boas opções de tratamento para que a mulher obtenha sucesso nesta busca e o sonho de ser mão não precisa ser somente uma condição natural. A medicina é uma grande aliada no processo.

Vale destacar que o ideal é que as coisas fluam normalmente. Forçar e manipular horários para o ato sexual, por exemplo, pode trazer frustração a ambos (homem e mulher), além de se perder totalmente a espontaneidade deste ato, pois não há garantia de que a gravidez ocorra deste momento. A impaciência, as conversas de comadre normalmente não ajudam em nada.

É natural que dos atos sexuais entre homens e mulheres ocorram uma gravidez. Contudo, passado determinado tempo, - que pode ser estipulado em um ano, por exemplo, em que a desejada gravidez não ocorra, é valida uma avaliação para se verificar as condições de saúde da mulher, sua fisiologia menstrual e ovulatória, e as características do espermograma do companheiro. Conforme o caso pode ser necessário induzir a ovulação ou encaminhá-la para a inseminação artificial.

Do aparelho reprodutor feminino fazem parte a vagina, o útero, as tubas uterinas e os dois ovários, onde são produzidos os óvulos e os hormônios estradiol e progesterona. Enquanto os homens produzem milhões e milhões de espermatozóides ao longo da vida, salvo raríssimas exceções, as mulheres investem tudo na produção de um único óvulo por mês. Essa célula será disputada pelos espermatozóides que, depositados na vagina, terão de atravessar o colo do útero e percorrê-lo inteiro até alcançar as trompas onde se dará a fecundação pelo que for mais veloz e mais apto. Por volta de cinco dias depois, o óvulo fecundado é empurrado pelas trompas e, como se estivesse escorregando num tobogã, chega ao útero onde se fixa. Só então começa a desenvolver-se. Esse processo está sujeito a muitos erros, tanto que grande número de fecundações termina num abortamento espontâneo depois de pequeno atraso menstrual que passa despercebida. A gravidez pode acontecer quando menos se espera. Em alguns casos, porém, quanto mais o casal a deseja, parece mais difícil de acontecer.

Antigamente se acreditava que os problemas se restringiam exclusivamente à mulher. Na verdade, em apenas um terço dos casais com dificuldade para conseguir uma gravidez, a dificuldade é exclusiva da mulher. Outro terço se deve a uma anomalia referente ao homem e, em aproximadamente 40% dos casos, a uma pequena associação de dificuldades dos dois parceiros.

Conclusivamente, se pode afirmar que de todos os casais que tentam a gravidez, mais ou menos 10% vão precisar de algum tipo de ajuda para levar adiante o processo. Em um terço desses 10%, as causas seriam femininas; no outro terço, masculinas e, no terço restante, seriam atribuídas à associação de dificuldades dos dois componentes do casal. É neste ambiente de avaliação inicial que a Ginecologia Endócrina se apresenta, por tratar-se de especialidade da ginecologia que visa o estudo fisiológico da formação do óvulo feminino e da investigação de seus distúrbios.

Fundamentada nesta especialidade, estudos comprovam que mais da metade dos casos de infertilidade pode ser resolvido com o exame de espermograma.

Descartada essa possibilidade, parte-se para o levantamento da história clínica da mulher. Há de se saber se há ovulação e menstruação regular (o fato de menstruar regularmente julga a favor de um processo de ovulação normal) e, ainda, se algum fato possa sugerir que tenha havido uma infecção na pelve que possa ter comprometido as trompas. Além disso, fortes cólicas menstruais podem ser sinal de endometriose, uma doença que é causa importante para a dificuldade para engravidar.

A história clínica norteia o início da investigação, que continua com exames laboratoriais e de imagem para confirmar se a paciente tem mesmo ovulação, se suas trompas são permeáveis, ou se tem algum problema no colo do útero ou dentro da cavidade uterina que impede ou dificulta a concepção. Com base nesses dados, delineia-se desde a continuidade do procedimento de investigação até o tipo de tratamento necessário para o casal levar adiante o projeto da gravidez.

Realizados esses exames iniciais, - o espermograma do marido e a avaliação anatômico-funcional do aparelho reprodutor da mulher, e não se verificando nada que justifique a dificuldade para engravidar, se conclui para o diagnóstico de “Esterilidade Sem Causa Aparente”, também conhecido pela sigla ESCA. Portanto, feitos todos os exames disponíveis, constatado que o casal tem vida sexual regular, onde não ocorra nenhuma disfunção no ato sexual (fator que precisa ser investigado) e não se constatando uma causa sequer que justifique a dificuldade para engravidar, parte-se para a seqüência terapêutica, que consiste em estimular a ovulação, - mesmo se sabendo que a paciente ovula, para determinar com precisão o dia em que ela vai ocorrer, a fim de aumentar a freqüência das relações sexuais nesse período.

Assim, após a constatação do insucesso da mulher engravidar, - apesar do estímulo hormonal, de a ovulação ter ocorrido no dia certo e da relação sexual ter se dado no período conveniente, caminha-se para o passo seguinte, sendo a ser a Reprodução Assistida.

Quando estes métodos não funcionam, existem recursos que buscam melhorar a resposta imunológica da paciente. Mulheres que fazem ciclos repetidos de fertilização e não conseguem engravidar podem ter o sistema imunológico com propensão a hiper-reatividade. Elas hiper-reagem à presença do corpo parcialmente estranho que é o embrião. Nesse caso, o procedimento indicado é fazer uma inoculação de leucócitos, isto é, dos glóbulos brancos do parceiro no organismo da mulher para que seu sistema imunológico mude as características de resposta imune e ofereça uma resposta de proteção para o embrião o que não aconteceria sem o tratamento.

Vale ainda ressaltar que o tempo do tratamento pode variar dependendo das características pessoais da paciente, sem precisão exata, ocorrendo em casos particulares a duração entre 02 a 05 anos, contudo, em situações otimistas, este ciclo podendo ocorrer entre 03 a 06 meses.

terça-feira, 6 de julho de 2010

O que é Ginecologia Endócrina?


Jornal Diário da Manhã- 29 de junho de 2010
Você sabe o que é Ginecologia Endócrina? Não? Então provavelmente também nunca ouviu falar que alterações da função reprodutiva como: dificuldades de engravidar, anovulação, síndromes masculinizantes, ovário policístico, abortamento habitual, obesidade, entre outros, podem ter origem em uma disfunção ovariana e por isso, ser tratados pela Ginecologia Endócrina.
Essa especialidade médica se refere aos aspectos fisiológicos (principalmente hormonais e reprodutivos) do funcionamento do corpo feminino desde o intraútero até a senilidade.
Senilidade (envelhecimento patológico) é o termo atribuído à presença de doenças e limitações que podem surgir ao longo da vida, como a osteoporose, a hipertensão arterial e o câncer. Necessitam de abordagem e tratamento específicos para preservarmos a qualidade de vida e manutenção das funções vitais, com o passar dos anos. É verdade que as doenças, principalmente o câncer e as crônico-degenerativas, são muito mais prevalentes na população idosa, mas atribuir estas condições como esperadas para idades avançadas é um equívoco.
Assim como não podemos confundir envelhecimento normal com doenças, também não podemos tratar idosos da mesma forma que adultos, jovens ou crianças. Cada etapa da vida tem suas características e precisamos lembrar disto a cada tratamento proposto. As modificações que a senescência estabelece no organismo do idoso torna-o mais sensível.
Desde a puberdade, quando começam a surgir as mamas e inicia o ciclo menstrual, o ginecoendócrino auxilia a mulher. Por toda a vida, sempre que haja irregularidade menstrual, é ele que ajuda na detecção dos motivos.
A Ginecologia começou como especialidade cirúrgica e com o passar do tempo, a compreensão dos processos fisiopatológicos femininos criou uma nova área na qual os médicos necessitaram aprofundar seus estudos, a Ginecologia Endócrina. Isso fez a atenção médica da mulher, nas várias fases da vida, ocorrer de maneira diversa em decorrência do estado de desenvolvimento físico dos órgãos genitais e do grau de maturidade psíquica, levando a Ginecologia Endócrina se subdividir em Infanto Puberal e Climatério.
A descoberta da síntese e secreção dos hormônios trouxe novos paradigmas na hormonioterapia, tornando várias afecções passíveis de serem tratadas.
Diante disto, a ginecologia endócrina estuda a regulação neurológica e endocrinológica do ciclo menstrual normal e sua função reprodutora, podendo tratar suas alterações (cistos no ovário; endometriose; disfunção menstrual; hermafroditismo etc).
Auxilia também no tratamento de obesidade, hipertensão e diabetes – doenças com grande incidência em mulheres, e que acabam interferindo no correto funcionamento ovariano – tumores na hipófise, no hipotálamo, na tiróide, nas glândulas supra-renais, no pâncreas e nas gônadas (ovários).
São questões nas quais a ginecoendocrinologia adequada para auxiliar no tratamento. É este profissional que avalia a necessidade e indica a terapia de reposição hormonal.
Por exemplo, se você está com dificuldades para engravidar, pode ser só uma alteração na regulação hormonal levando a uma alteração na função de ovular e o sonho de ser mãe poderá estar mais próximo do que você imagina.