terça-feira, 8 de setembro de 2009

Tratamento da Calvície


Dr Drauzio Varella entrevista Dr. Luiz Carlos Cuce que é médico e professor de dermatologia no Hospital das Clínicas de São Paulo.

Drauzio – Algumas pessoas nascem com uma carga genética que favorece a queda dos cabelos numa idade muito precoce. Noutros o processo caminha mais devagar. Como respondem ao tratamento esses dois grupos?
Cuce – Se a impressão genética é forte no sentido de favorecer uma queda precoce, as medicações existentes no mercado devem ser tomadas por longos períodos com pequenos intervalos entre eles, porque parou, o cabelo torna a cair. Mesmo os que têm queda menos intensa, devem tomar a medicação por muito tempo. No entanto, as doses podem ser menores e os intervalos de descanso maiores. Quando o peso da carga genética é alto, geralmente se consegue retardar o processo, mas não se consegue obter a cura total.

Drauzio – Quais são os medicamentos que podem ser indicados para quem tem queda de cabelos?
Cuce – O mais conhecido é o Minoxidil, um vasodilatador de uso local com ação sobre os receptores androgênicos do pêlo, ou seja, que ajuda a bloquear os derivados da testosterona. Se a queda for acentuada, pode-se prescrever a versão mais concentrada, já que existem dois tipos de preparação: um mais concentrado e outro menos.
É preciso tomar cuidado porque nem tudo o que apresenta bons resultados para os homens pode ser indicado para as mulheres, uma vez que nelas os efeitos colaterais podem ser desagradáveis. Depois de passar o remédio no couro cabeludo, algumas desenvolveram barba na face e pêlos nos braços, pernas, etc.



Drauzio – Os homens podem usar sem problema a versão mais concentrada?
Cuce – Não podem. É preciso ir tateando a reação de cada um. Sempre é bom começar com uma concentração de 2% ou 3% e ir aumentando gradativamente. Os homens também não devem usar hormônios. Já vi casos desastrosos de indivíduos que usaram estrógeno e progesterona diluídos em loções ou álcool e que desenvolveram sinais femininos importantes. O crescimento da mama, por exemplo, requer intervenção cirúrgica para retirar as glândulas mamárias hipertrofiadas, uma vez que elas não regridem mais depois da suspensão do tratamento.
Já conheci gente desesperada porque está perdendo cabelo e é capaz de loucuras para corrigir esse mal. Tudo tem que ser feito com parcimônia e cuidado. Existem profissionais não habilitados para atuar nessa área que cometem alguns erros crassos.



Drauzio – Qual sua experiência com a Finasterida, medicamento indicado para homens por via oral?
Cuce - Em termos de resultados, pode-se dizer que se consegue a longo prazo de 20% a 30% no máximo de crescimento de cabelo e que 40% não responde absolutamente à Finasterida.
Se a impressão genética for forte, o tratamento precisa ser mantido por toda a vida com doses terapêuticas iguais desde o início e curtos intervalos de repouso a partir de um ano de medicação. Indivíduos com menor influência genética devem tomar o remédio por um ano, um ano e meio. Em seguida, as doses passam a ser menores e mais distanciadas no tempo.
Para as mulheres existe, ainda, a flutamida que apresenta excelentes resultados para a queda de cabelo feminino, mas seu uso precisa ser controlado para acompanhar os efeitos colaterais. Elas podem também usar hormônios por via oral ou diluídos em loção e aplicados na área afetada pela Alopecia.

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