quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Problemas de Saúde na Mulher


Entrevista do Dr Drauzio Varella a Dr. Nilo Bozzini. Professor do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade São Paulo(USP).

Drauzio – Quais são os principais problemas de saúde que acometem a mulher no início da vida sexual?
Nilo Bozzini – Sem dúvida, hoje, o principal problema são as doenças sexualmente transmissíveis de maneira geral. O grande temor é a AIDS e isso de certa forma tem aproximado as pessoas do médico à procura de informações e orientação.
Embora o meio mais seguro de contracepção para a jovem seja a pílula anticoncepcional, ela não evita a transmissão de doenças. Nesse sentido, só a camisinha resolve.
No passado, quando a mulher nos procurava dizendo que não queria ficar grávida de jeito nenhum, a indicação era que tomasse o anticoncepcional e o parceiro usasse a camisinha. Hoje, é o que se recomenda para as mocinhas não só para evitar a gravidez indesejável, mas como prevenção de doenças. Às vezes, o namorado tem outras parceiras e elas acabam vítimas de uma situação que poderia ser evitada com o uso da camisinha.
Outra coisa que faz a menina procurar o médico é a leucorréia, isto é, o corrimento genital fisiológico que pode aparecer quando ela está para menstruar ou ovulando. A presença dessa secreção que pode ter sido provocada pela mudança das condições hormonais desperta o medo de ter adquirido alguma doença.
A propósito, é interessante lembrar que, com o tempo, as jovens vão reconhecendo as alterações que antecedem o fluxo menstrual e que as mais magras conseguem perceber quando estão ovulando.

Drauzio – Por que as mais magras?
Nilo Bozzini – É engraçado, mas as mais gordinhas não têm essa sensibilidade. Sabe-se que o ovário vai mudando de características durante toda a fisiologia menstrual. Ultra-sons feitos assim que termina a menstruação ou quando está prestes a começar mostram mudanças no volume dessas glândulas. Se a sensibilidade for mais apurada, às vezes, a menina sente um pouquinho de cólica ou apresenta leucorréia durante a ovulação.

Drauzio – Como se diferencia o corrimento fisiológico do corrimento patológico?
Nilo Bozzini – O corrimento fisiológico é parecido com a clara do ovo. A mudança das características de cor e odor e a incidência de prurido são sinais de que não é um corrimento normal. Isso não significa que a pessoa tenha contraído uma doença sexualmente transmissível. Pode ser uma infecção por Cândida, por exemplo.
Há casos em que a presença de corrimento requer que se peça o exame de Papanicolau, um exame de prevenção contra o câncer ginecológico.

Drauzio – Quando e por que deve ser feito o primeiro Papanicolau?
Nilo Bozzini – Apesar de as doenças precursoras do câncer de colo uterino serem de lenta evolução, obrigatoriamente toda a mulher que inicia a vida sexual deve fazer o Papanicolau. No caso de existirem outros problemas de saúde, por exemplo, se ela for imunodeprimida, esse exame deve ser antecipado e feito com mais freqüência.
Trata-se de um procedimento bastante simples. A paciente é colocada em posição ginecológica, o médico introduz o espéculo na vagina, retira material do orifício do colo do útero e da parede vaginal e manda analisar.
O exame de Papanicolau serve também para diagnóstico de doenças sexualmente transmissíveis ou do condiloma, uma afecção que pode, em alguns casos, levar a uma doença maligna.

Drauzio – O que é condiloma?
Nilo Bozzini – O condiloma pode ser clínico ou subclínico. Caracteriza-se por lesões com aspecto semelhante a bolinhas ou pequenas verrugas que aparecem na cavidade do trato genital, ou fora, na vulva. É um episódio que precisa ser valorizado e exige a realização de biópsia para determinar o tipo da doença a fim de prescrever o tratamento adequado.

Drauzio – Com que freqüência deve ser repetido o exame de Papanicolau?
Nilo Bozzini - Mulheres com vida sexual ativa devem fazer o exame de Papanicolau uma vez por ano. Eventualmente, esse tempo deve ser reduzido se elas apresentarem alguma alteração no colo do útero ou fizeram cauterização.

Drauzio – As mulheres geralmente são disciplinadas nesse aspecto…
Nilo Bozzini – As campanhas realizadas no sentido de orientar as mulheres sobre a importância do Papanicolau como prevenção do câncer uterino ajudaram muito a conscientizá-las sobre a necessidade de fazê-lo regularmente. No entanto, por incrível que pareça, são as mulheres mais velhas que, às vezes, relaxam e se esquecem de fazê-lo.

Um comentário:

mulheres disse...

gostaria de saber se eu parar de tomar o anticoncepcional que tomo a quase 3 anos de 3 em 3meses vai me fazer mal se vou mestruar muito? tenho medo, pois devido o tempo e o medicamento ser forte tenho medo ficar doente e mestruando direto sem controle.... por que faz tempo que nao mestrou normal.... DEPOPROVERA..... meu nome é fabilene e tenho 27 anos.. e mais uma coisa se vou poder ter relaçao normal?