sábado, 26 de setembro de 2009

Calor que chega com a maturidade

JORNAL DIÁRIO DA MANHÃ - DM REVISTA
Goiânia, 26 de setembro de 2009 | Edição nº 7993
Desconforto causado pelo climatério, na menopausa, pode ser amenizado por meio de reposição hormonal(Mayara Jordana)

O relógio biológico das mulheres entra num descompasso de ritmo a partir dos 40 até os 58 anos e avisa que nessa faixa etária iniciam-se alterações metabólicas significativas no organismo feminino, que proporcionam uma série de desconfortos para a maioria das mulheres. O climatério, diferente da menopausa, consiste num conjunto de sintomas que atingem três dentre quatro mulheres, cerca de 10 anos antes da menstruação cessar definitivamente (menopausa).

Longe de ser uma regra entre a maioria do sexo feminino, pois há casos em que, mesmo com variações hormonais extremas, há aquelas que permanecem assintomáticas. Enquanto outras, mesmo com uma instabilidade mínima de níveis, estão suscetíveis a todos os sintomas. De acordo com a ginecologista e obstetra, especialista em ginecologia endócrina, climatério e infanto puberal, Maria Luiza Campos da Silva, o mais famoso é fogacho, ou os calores, que são ondas térmicas e se concentram, principalmente, na região do pescoço e rosto, podendo acompanhar com suor.

Outros sinais mais comuns são alteração menstrual, atrasos no fluxo de sangramento, com maior ou menor intensidade, insônia, cefaleia, câimbras e formigamentos de membros superiores e inferiores, palpitação no coração, aumento dos níveis de ansiedade, transtornos do humor, como depressão, zumbido nos ouvidos, tonturas, dores musculares e articulares, ressecamento ou diminuição da lubrificação vaginal e da libido. “Mas é importante frisar que, neste momento da vida, a mulher está exposta a um maior risco de desenvolver alteração do nível de pressão arterial, glicemia, alteração da glândula tireoide e perda de massa óssea. Além de uma diminuição no seu metabolismo que pode levar a um aumento de peso. Também é nesta época que alguns tipos de tumores são mais frequentes”, acrescenta a ginecologista.

Reposição

Hormonal

Cada caso é um caso. Antes da mulher partir para uma terapia hormonal, é necessário fazer um levantamento histórico para saber sobre os riscos de se submeter à medicação. “Se ela apresentar vários sintomas e intensos, provavelmente será candidata à reposição. Entra a questão se essa paciente pode usar ou não, se tem câncer de mama na família materna, problemas cardíacos ou diabetes, por exemplo, esta possibilidade de tratamento deve ser avaliada com mais cautela para que os riscos não superem os benefícios”, adverte a ginecologista.

Nesse sentido, é preciso alertar que a reposição hormonal não pode ser realizada por todas. Para aquelas que têm hipertensão, o tratamento torna-se uma contraindicação relativa. Isso sem contar com tabagismo, histórico de câncer de mama na família. Também, para quem sofre de diabetes o uso é restrito, pois o hormônio pode piorar o perfil glicêmico da paciente, e “qualquer outra doença que aumente o risco de coagulação sanguínea é contraindicada absoluta para reposição hormonal, que aumenta o risco de complicações como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e a trombose venosa profunda”.

Segundo a médica Maria Luiza, os medicamentos para reposição hormonal são à base de estrógenos e progetágenos, sendo que cada tipo de hormônio será indicado de acordo com o perfil da paciente, tipos de sintomas e as contraindicações. O recomendável é sempre investir em menores dosagens e parar com o tratamento assim que ocorrer a estabilidade no bem-estar. “Não existe mais aquele conceito de usar hormônio para sempre” , destaca Maria Luiza. O custo dos medicamentos fica em torno de R$ 10 a R$ 100 mensais.

Para a mulher que só sente o fogacho, a dica é abusar da soja e linhaça na alimentação. “Esses fito-hormônios agem, principalmente, em sintomas como os calorões, a tonicidade da pele e lubrificação vaginal. Além disso, se a mulher mantém alimentação rica nesses nutrientes, ela retardará o aparecimento dos sintomas da menopausa e adiará o uso de hormônio.”

Um comentário:

Jurema disse...

Gostaria de saber se posso fazer uso de TRH convencional junto com a fitoterapia. Por exemplo: estou tomando: cimicifuga, maca, sálvia, damiana, valeriana, vitex agnus castus, vitamina E e DHEA, porém, tenho muitos fogachos e não tive paciência de esperar por 3 meses para que os fitoterapicos comecem a fazer efeito. Minha ginecologista me receitou cicloprimogyna. Eu posso tomar a cicloprimogyna e continuar o uso dos outros fitoterapicos juntos?