terça-feira, 13 de outubro de 2009

HERPES GENITAL


CONCEITO
Virose transmitida predominantemente pelo contato sexual (inclusive oro-genital), com período de incubação de 3 a 14 dias, no caso de primo-infecção sintomática; a transmissão pode-se dar, também, pelo contato direto com lesões ou objetos contaminados. Caracteriza-se pelo aparecimento de lesões vesiculosas que, em poucos dias, transformam-se em pequenas úlceras.

AGENTE ETIOLÓGICO
Herpes simplex virus (HSV), tipos 1 e 2. Pertencem à família Herpesviridae, da qual fazem parte o Citomegalovírus (CMV), o Varicela zoster vírus (VZV), o Epstein-Barr vírus (EBV), o Herpesvírus humano 6 (HHV-6), que causa o exantema súbito, e o Herpesvírus humano 8 (HHV 8).
São DNA vírus e têm diferentes propriedades biológicas, variando quanto à composição química; podem ser diferenciados por técnicas imunológicas. Embora os HSV 1 e 2 possam provocar lesões em qualquer parte do corpo, há predomínio do tipo 2 nas lesões genitais, e do tipo 1 nas lesões periorais.

QUADRO CLÍNICO
Herpes Genital Primário
O vírus é transmitido mais freqüentemente por contato direto com lesões ou objetos contaminados; é necessário que haja solução de continuidade, pois não há penetração do vírus em pele ou mucosas íntegras. Pode não produzir sintomatologia. Pródromos: aumento de sensibilidade, formigamento, mialgias, ardência ou prurido antecedendo o aparecimento das lesões. Localização: no homem, mais freqüente na glande e prepúcio; na mulher, nos pequenos lábios, clitóris, grandes lábios, fúrcula e colo do útero. Características da lesão: inicialmente pápulas eritematosas de 2 a 3 mm, seguindo-se de vesículas agrupadas com conteúdo citrino, que se rompem dando origem a ulcerações, posteriormente recobertas por crostas serohemáticas. Adenopatia inguinal dolorosa bilateral pode estar presente em 50% dos casos. As lesões cervicais uterinas, freqüentemente subclínicas, podem estar associadas a corrimento genital aquoso. No homem, não raramente, pode haver secreção uretral hialina, acompanhada de ardência miccional. Podem ocorrer sintomas gerais, como febre e mal-estar.
Provocando ou não sintomatologia, após a infecção primária, o HSV ascende pelos nervos periféricos sensoriais, penetra nos núcleos das células ganglionares e entra em estado de latência.

Herpes genital recorrente
Após a infecção genital primária por HSV 2 ou HSV 1, respectivamente, 90% e 60% dos pacientes desenvolvem novos episódios nos primeiros 12 meses, por reativação dos vírus. A recorrência das lesões pode estar associada a episódios de febre, exposição à radiação ultravioleta, traumatismos, menstruação, estresse físico ou emocional, antibioticoterapia prolongada e imunodeficiência. O quadro clínico das recorrências é menos intenso que o da primo-infecção, e é precedido de pródromos característicos, como por exemplo: aumento de sensibilidade no local, prurido, "queimação", mialgias, e "fisgadas" nas pernas, quadris e região anogenital.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
Deve ser feito com o cancro mole, a sífilis, o linfogranuloma venéreo, a donovanose e as ulcerações traumáticas.

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
Citodiagnóstico- O citodiagnóstico de Tzanck pode ser útil como método auxiliar. Sua positividade é refletida pela multinucleação e balonização celulares. A utilização da coloração pelo Papanicolaou permite a observação de inclusões virais.
Biópsia- Embora o procedimento não seja indicado rotineiramente, permite fazer, com alguma segurança, o diagnóstico por meio da identificação dos corpúsculos de inclusão.
Cultura- O isolamento do vírus em cultura de tecido é a técnica mais específica para detecção da infecção herpética. A sensibilidade da cultura varia de acordo com o estágio da lesão. É progressivamente menor em lesões vesiculosas, pustulosas, ulceradas e crostosas. A sua obtenção, na prática diária, é difícil.

TRATAMENTO
Tratamento sintomático
A dor pode ser aliviada com analgésicos e anti-inflamatórios. O tratamento local consiste em: solução fisiológica ou água boricada a 3%, para limpeza das lesões; antibiótico tópico (Neomicina) pode ser útil na prevenção de infecções secundárias.
Tratamento específico
Vários medicamentos foram utilizados para o tratamento das infecções herpéticas, mas nenhum deles provou ser completamente eficaz na erradicação do vírus. Não existe tratamento que proporcione a cura definitiva do herpes genital. Deve ser evitada conduta intempestiva, como o uso de substâncias irritantes e/ou corticosteróides.
Primeiro episódio:
Aciclovir,Famciclovir ou Valaciclovir
Nas recorrências de herpes genital o tratamento deve ser iniciado, de preferência, com o aparecimento dos primeiros pródromos (dores articulares, aumento de sensibilidade, pruridos):
No caso de manifestações severas com lesões mais extensas, o tratamento deve ser sistêmico, com: Aciclovir.
Seguimento pós-tratamento
Retorno após duas semanas, para avaliação.

Gestante
Nas gestantes portadoras de herpes simples, deve ser considerado o risco de complicações obstétricas, particularmente se a primo-infecção ocorrer durante a gravidez.
A infecção primária materna, no final da gestação, oferece maior risco de infecção neonatal do que o herpes genital recorrente.
As complicações do herpes na gestação são numerosas, sendo, contudo, pequeno o risco de contaminação fetal durante a gestação. A transmissão fetal transplacentária foi observada por Vontver em uma a cada 3500 gestações. A infecção do concepto intra-útero, nos primeiros meses da gestação, poderá culminar em abortamento espontâneo.
O maior risco de transmissão do vírus ao feto, se dará no momento da passagem deste pelo canal do parto, resultando em aproximadamente 50% de contaminação. Mesmo na forma assintomática, poderá haver a transmissão do vírus por meio do canal de parto. Recomenda-se, portanto, a realização de cesariana, toda vez que houver lesões herpéticas ativas. Esta conduta não traz nenhum benefício quando a bolsa amniótica está rota há mais de 4 horas.
O tratamento das lesões herpéticas, no decorrer da gestação, poderá ser feito, com alguma vantagem, nos casos de primo-infecção, com: Aciclovir.
A infecção herpética neonatal consiste em quadro grave, que exige cuidados hospitalares especializados. Tratamento neonatal: Aciclovir.

sábado, 26 de setembro de 2009

Calor que chega com a maturidade

JORNAL DIÁRIO DA MANHÃ - DM REVISTA
Goiânia, 26 de setembro de 2009 | Edição nº 7993
Desconforto causado pelo climatério, na menopausa, pode ser amenizado por meio de reposição hormonal(Mayara Jordana)

O relógio biológico das mulheres entra num descompasso de ritmo a partir dos 40 até os 58 anos e avisa que nessa faixa etária iniciam-se alterações metabólicas significativas no organismo feminino, que proporcionam uma série de desconfortos para a maioria das mulheres. O climatério, diferente da menopausa, consiste num conjunto de sintomas que atingem três dentre quatro mulheres, cerca de 10 anos antes da menstruação cessar definitivamente (menopausa).

Longe de ser uma regra entre a maioria do sexo feminino, pois há casos em que, mesmo com variações hormonais extremas, há aquelas que permanecem assintomáticas. Enquanto outras, mesmo com uma instabilidade mínima de níveis, estão suscetíveis a todos os sintomas. De acordo com a ginecologista e obstetra, especialista em ginecologia endócrina, climatério e infanto puberal, Maria Luiza Campos da Silva, o mais famoso é fogacho, ou os calores, que são ondas térmicas e se concentram, principalmente, na região do pescoço e rosto, podendo acompanhar com suor.

Outros sinais mais comuns são alteração menstrual, atrasos no fluxo de sangramento, com maior ou menor intensidade, insônia, cefaleia, câimbras e formigamentos de membros superiores e inferiores, palpitação no coração, aumento dos níveis de ansiedade, transtornos do humor, como depressão, zumbido nos ouvidos, tonturas, dores musculares e articulares, ressecamento ou diminuição da lubrificação vaginal e da libido. “Mas é importante frisar que, neste momento da vida, a mulher está exposta a um maior risco de desenvolver alteração do nível de pressão arterial, glicemia, alteração da glândula tireoide e perda de massa óssea. Além de uma diminuição no seu metabolismo que pode levar a um aumento de peso. Também é nesta época que alguns tipos de tumores são mais frequentes”, acrescenta a ginecologista.

Reposição

Hormonal

Cada caso é um caso. Antes da mulher partir para uma terapia hormonal, é necessário fazer um levantamento histórico para saber sobre os riscos de se submeter à medicação. “Se ela apresentar vários sintomas e intensos, provavelmente será candidata à reposição. Entra a questão se essa paciente pode usar ou não, se tem câncer de mama na família materna, problemas cardíacos ou diabetes, por exemplo, esta possibilidade de tratamento deve ser avaliada com mais cautela para que os riscos não superem os benefícios”, adverte a ginecologista.

Nesse sentido, é preciso alertar que a reposição hormonal não pode ser realizada por todas. Para aquelas que têm hipertensão, o tratamento torna-se uma contraindicação relativa. Isso sem contar com tabagismo, histórico de câncer de mama na família. Também, para quem sofre de diabetes o uso é restrito, pois o hormônio pode piorar o perfil glicêmico da paciente, e “qualquer outra doença que aumente o risco de coagulação sanguínea é contraindicada absoluta para reposição hormonal, que aumenta o risco de complicações como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e a trombose venosa profunda”.

Segundo a médica Maria Luiza, os medicamentos para reposição hormonal são à base de estrógenos e progetágenos, sendo que cada tipo de hormônio será indicado de acordo com o perfil da paciente, tipos de sintomas e as contraindicações. O recomendável é sempre investir em menores dosagens e parar com o tratamento assim que ocorrer a estabilidade no bem-estar. “Não existe mais aquele conceito de usar hormônio para sempre” , destaca Maria Luiza. O custo dos medicamentos fica em torno de R$ 10 a R$ 100 mensais.

Para a mulher que só sente o fogacho, a dica é abusar da soja e linhaça na alimentação. “Esses fito-hormônios agem, principalmente, em sintomas como os calorões, a tonicidade da pele e lubrificação vaginal. Além disso, se a mulher mantém alimentação rica nesses nutrientes, ela retardará o aparecimento dos sintomas da menopausa e adiará o uso de hormônio.”

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Vacinação contra HPV



O médico Mauro Romero Leal Passos, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), esclarece para a Agência Fiocruz de Notícias algumas das principais dúvidas sobre HPV e vacinação.

Fala-se tanto de HPV, mas qual é a dimensão do problema?

Mauro Romero Leal Passos: É muito grande. Acredita-se que cerca de 50% da população sexualmente ativa, em algum momento da vida, cruzam com o HPV. Estima-se que 30 milhões de pessoas em todo o mundo tenham lesões de verruga genital (condiloma acuminado) e 10 milhões apresentem lesões intra-epiteliais de alto grau em colo uterino. Além disso, ocorrem no mundo 500 mil casos de câncer de colo uterino por ano. No Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), são 19.200 casos novos a cada ano de câncer de colo uterino, doença que mata mais de 4 mil mulheres anualmente. Sabe-se que 11% de todos os casos de câncer que acometem as mulheres são causados por HPV. Além de lesões em colo uterino (as principais), os tipos de câncer por HPV podem ser de vulva, vagina, ânus, orofaringe, cavidade bucal e laringe. Cabe dizer ainda que, embora não sejam nem se transformem em doença maligna, os condilomas acuminados causam, por vezes, altos custos para tratamento, faltas ao trabalho, seqüelas locais (por conta de cirurgias e cauterizações) e importantes traumas emocionais, entre outros. Isso tudo é agravado porque em muitos casos a recidiva é grande, de modo que a pessoa com quadro de verruga genital tem que fazer mais de dez visitas ao médico.

Quantas vacinas contra HPV existem?

Passos: Vários são os grupos pesquisando vacina contra HPV. Porém, duas vacinas estão aprovadas no Brasil: a vacina quadrivalente (HPV 6, 11, 16, 18) da Merck Sharp & Dohme (MSD) e as vacinas bivalentes (HPV 16, 18) da Glaxo Smith Kline (GSK).

De que são feitas as vacinas?

Passos: A ciência médica nos últimos anos avançou muito nas questões envolvendo a biologia molecular. O que há trinta anos parecia impossível hoje é coisa corriqueira nos grandes centros de pesquisas sobre genética. Conseguiu-se identificar a parte principal do DNA do HPV (gene) que codifica para a fabricação do capsídeo viral (parte que envolve o genoma do vírus). Depois, usando-se um fungo (Sacaromices cerevisiae), entre outros sistemas, como células de inseto, obteve-se apenas a “capa” do vírus, que, em testes preliminares, mostrou induzir fortemente a produção de anticorpos quando administrada a humanos. Essa “capa” viral, sem qualquer genoma em seu interior, é chamada de partícula semelhante a vírus (em inglês, virus like particle ou VLP). Na verdade, trata-se de um pseudo-vírus. O passo seguinte foi estabelecer a melhor quantidade de VLP e testar em humanos na prevenção de lesões induzidas por HPV. Cabe dizer que cada tipo viral tem uma VLP correspondente para uso como vacina. Assim, uma vacina bivalente tem duas VLP (16, 18). Já uma vacina quadrivalente tem quatro VLP (6, 11, 16, 18). Para que não paire dúvidas sobre o caráter não infeccioso das VLP, imagine um mamão inteiro. Dentro, haverá um monte de sementes (material genético) que, caindo em um terreno fértil, poderão originar um ou mais mamoeiros. Mas, se todas as sementes forem retiradas do interior do mamão, ficando a fruta oca, mesmo que ela seja colocada em um bom terreno, jamais nascerá um pé de mamão. No caso das VLP, elas imitam o HPV, fazendo com que o organismo identifique tal estrutura como um invasor e produza um mecanismo de defesa, de proteção. Esse sistema é bem conhecido, seguro e usado há muito tempo com a vacina contra a hepatite B. Sua fabricação não envolve derivados de células humanas e não tem risco de causar qualquer doença infecciosa.

A vacina é por via oral ou é injeção?

Passos: É por via intramuscular – injeção de apenas 0,5 mL cada dose.

Quantas doses são?

Passos: A vacina quadrivalente contra HPV é proposta em três doses, a saber: data escolhida (1ª dose), 60 dias (2ª dose) e 180 dias (3ª dose). A vacina bivalente também é em três doses, mas sendo data escolhida, 30 dias e 180 dias.

Quanto tempo dura o efeito da vacina?

Passos: Os estudos clínicos têm mostrado que cinco anos após a administração da vacina quadrivalente contra HPV ainda persiste a proteção contra verrugas genitais e neoplasias intra-epiteliais de colo uterino, vulva, vagina e ânus.

Há necessidade de reforço ou dose suplementar? Se houver, quanto tempo depois?

Passos: Até o momento, sabe-se que a proteção, após esquema vacinal completo (três doses), tem durado mais de cinco anos. Existe estudo em andamento no sentido de se fazer uma quarta dose de reforço. Entretanto, será necessário esperar mais tempo para uma resposta definitiva.

Há efeitos colaterais graves?

Passos: Os resultados dos ensaios clínicos publicados em revistas internacionais rigorosas não apontam para esses problemas. Os efeitos adversos mais destacados são mal estar tipo gripe e dor no local da injeção. Porém, freqüentemente, de leve intensidade.

A vacina tem efeito teratogênico?

Passos: Até a presente data não existe qualquer relato sobre dano para o feto caso a mulher engravide durante esquema vacinal contra HPV, embora a experiência seja muito pequena para tirar conclusões com confiança. Somos da opinião de que uma mulher que queira engravidar em seguida à administração das doses de vacina contra HPV espere, pelo menos, um mês após a aplicação da terceira dose. Se houver gravidez entre os intervalos das doses, o médico deve ser avisado. Numa correlação com outra vacina fabricada a partir dos mesmos princípios e com a qual se tem uma vasta experiência, a vacina contra hepatite B, o esperado é que nada de mal ocorra para o bebê. Hoje, temos confiança em vacinar grávidas contra hepatite B. Todavia, como as infecções não são idênticas, o correto, para nós, é evitar vacinação contra HPV em gestantes, pelo menos até que tudo fique bem documentado, o que pode levar anos.

Como se dá a proteção pela vacina?

Passos: Ainda estamos aprendendo muito com a vacina contra HPV. Tem sido observado que, após a administração de dose de vacina contra HPV por via intramuscular, acontece uma enorme produção de anticorpos circulantes (no sangue periférico) que se mantém em níveis elevados durante anos. Na infecção pelo HPV de forma natural, também existe o aparecimento desses mesmos anticorpos. Porém, os níveis são bem inferiores quando comparados aos níveis pós-vacinais. Muitos pesquisadores têm atribuído a esse fator (altíssimos níveis de anticorpos) a proteção contra as lesões induzidas pelo HPV. Diz-se que, com essa explosão de anticorpos, é fácil para eles chegarem aos locais onde, posteriormente, de forma natural, ocorre a introdução do HPV e, então, eles debelariam os vírus no momento inicial da infecção. Assim, não haveria a proliferação do HPV nos tecidos e, conseqüentemente, não ocorreria doença (sintomas). Para o vírus da hepatite B, isso é o que acontece. Todavia, em outras doenças, como HIV/Aids, embora também ocorra uma explosão de anticorpos circulantes, estes não são suficientes para evitar que a infecção progrida e se torne uma doença grave. É possível que os altos e sustentados níveis de anticorpos sejam o principal fator de proteção. Mas não ficaremos surpresos se existirem outros mecanismos que ainda não foram desvendados. O fato principal é que, após esquema vacinal completo contra HPV, as pessoas têm apresentado proteção contra os tipos de vírus usados em cada preparação. Cabe comentar que até hoje – e já se passaram muitos anos, com uso em milhões de pessoas – ainda não se conhece o verdadeiro mecanismo de proteção conferido pela vacina para Bordetella pertussis, leia-se coqueluche.

Tomando vacina contra determinados tipos de HPV a pessoa fica protegida também para outros?

Passos: Os estudos mostram aumento significativo nos níveis de anticorpos de alguns tipos de HPV geneticamente bem próximos aos empregados em cada vacina. Para a vacina quadrivalente (HPV 6, 11, 16, 18), há trabalho mostrando proteção cruzada contra HPV 31 e 45 em 62% dos casos. Já a vacina bivalente (HPV 16, 18) mostrou 94,2% de proteção contra HPV 45, por exemplo.

Quem deve ser vacinado?

Passos: A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 28/08/2006, aprovou a vacina quadrivalente para uso em meninas e mulheres com 9 a 26 anos de idade. A vacina quadrivalente contra HPV já foi aprovada em praticamente todo o mundo. A Anvisa aprovou também a vacina bivalente para administração em meninas e mulheres na faixa etária de 9 a 25 anos.

Fala-se muito de estudos em mulheres. Se é uma DST, os homens não serão vacinados?

Passos: Esperamos que um dia a vacina contra HPV também seja aprovada para uso em homens. Ainda não terminaram os ensaios clínicos envolvendo pessoas do sexo masculino para que a pergunta seja respondida de forma convincente. Queremos crer que em mais um ou dois anos teremos uma boa resposta sobre a vacinação em homens, especialmente para os adolescentes.

Quem teve exame positivo para HPV pode tomar a vacina?

Passos: Ter tido um exame positivo para um tipo de HPV não significa que a pessoa está com ou vai ter as lesões causadas pelo HPV. Pode – e isso é freqüente – ser apenas uma positividade transitória. Ou seja: a pessoa entrou em contato com o vírus, mas o sistema imune conseguiu debelar a infecção. Como as vacinas têm mais de um tipo viral, haverá, de rotina, o desenvolvimento de proteção para os tipos de HPV não envolvidos no exame positivo. Porém, não podemos omitir que os estudos recentes publicados sobre vacina contra HPV foram feitos com pessoas com exames prévios negativos.

Após ser vacinada contra HPV, a pessoa pode fazer sexo sem preservativo?

Passos: Uma vacina protege contra um agente infeccioso específico. Assim, uma pessoa vacinada contra alguns tipos de HPV ficará protegida contra as doenças causadas por esses tipos virais da vacina. Portanto, o uso de preservativo (masculino ou feminino) é fundamental contra outras doenças de transmissão sexual que ainda não têm vacina, como HIV, herpes genital, clamídia, sífilis etc.

Se houver grande aceitação da vacina contra HPV, é possível imaginar que, no futuro, os casos de câncer de colo de útero aumentarão muito por causa de outros tipos de HPV que não estão nas vacinas e também porque as pessoas vacinadas vão ter mais relações desprotegidas?

Passos: Não acreditamos que isso se torne uma verdade. Na história das vacinas em humanos, não conseguimos recuperar relatos similares. Não aconteceu isso com a poliomielite, varíola, raiva, rubéola, hepatites A e B, tétano, coqueluche, difteria, meningococo C, pneumococo etc. Pelo contrário: a população que usa a proteção das vacinas acaba tendo mais entendimento dos problemas e agrega mais valores de proteção para a sua saúde e a de seus familiares. Não é fato rotineiro, por exemplo, uma pessoa tomar vacina contra hepatite A e sair por aí tomando qualquer água ou banhando-se em águas sujas.

Com quantos anos deve-se iniciar o exame preventivo?

Passos: De maneira geral, o exame de Papanicolau está indicado para o rastreio do câncer de colo uterino três anos depois de iniciada a vida sexual ou com 25 anos de idade, o que acontecer primeiro. Todavia, muitos médicos e muitas mulheres preferem ter um exame de base assim que existir coito vaginal. Isso pode levar a um vínculo maior da mulher com o sistema de saúde, pois outras situações podem ocorrer, como DST/HIV, gravidez não planejada, disfunção sexual etc.

Como será o rastreio do câncer de colo uterino depois que uma pessoa tomar a vacina contra HPV? Será necessário continuar fazendo exame preventivo?

Passos: Ainda não se pode ter plena certeza de qual será o modelo ideal para todas as populações. O tempo e as pesquisas vão, no futuro, responder melhor a essa pergunta. Entretanto, somos da opinião de que, por enquanto, não se deve mudar o esquema de exame de Papanicolau, ou seja, fazer anualmente. Com dois resultados negativos seguidos, o exame pode ser repetido a cada dois anos, pelo menos.

A vacina contra HPV será dada pelo governo?

Passos: Poderia ser uma atitude ousada nesta fase. Acreditamos que, com o aumento do número de pessoas que usam a vacina e ficam protegidas, a diminuição dos casos de câncer e verrugas genitais causados pelo HPV e a redução dos gastos com diagnóstico e tratamento dessas doenças, os governos poderão disponibilizar uma vacina contra HPV na rede básica de saúde. É evidente que será necessário um bom ajuste de preço, uma vez que a quantidade comprada será de milhões de doses.

Haverá vacina contra HPV associada à vacina contra outra doença?

Passos: Acreditamos que sim, pois já existe um estudo em andamento sobre vacinas contra HPV e hepatite B administradas simultaneamente.

Fonte: Livro de resumos do 2º Congresso da CPLP sobre DST/Aids

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

DIFICULDADE EM ENGRAVIDAR


Parece que a gravidez ocorre facilmente quando o casal não está interessado em ter um filho. Caso contrário, parece que demora mais. Em média, quanto tempo eles devem esperar antes de procurar ajuda?
– Esse é um problema muito sério na vida dos casais, que misturam sexualidade, potência masculina, infertilidade num único pacote.”Não consigo ter um filho porque sou impotente” ou “ela é infértil e me acusa” são fantasmas que atormentam o relacionamento. A auto-cobrança e a cobrança do outro só agravam a situação.
O ideal é deixar que as coisas fluam normalmente. Não adianta marcar hora para o ato sexual porque se perde a espontaneidade e, se a gravidez não ocorrer daquela vez, só vai gerar frustração nos parceiros.
É evidente que depois de um ano de relacionamento se preconiza uma avaliação para verificar as condições de saúde da mulher, sua fisiologia menstrual e ovulatória e as características do espermograma do companheiro. Conforme o caso, pode ser necessário induzir a ovulação ou encaminhá-la para a inseminação artificial.

Quando o casal manifesta o desejo de ter um filho, você recomenda que concentrem as relações sexuais em determinada fase do ciclo menstrual?
– Minha primeira recomendação é que não mudem a dinâmica sexual. É óbvio que se tiverem uma relação a cada três meses, a probabilidade de uma gravidez é baixa. Já se tiverem duas relações por semana, ela aumenta muito.
Está claro que concentrar a freqüência das relações sexuais na época da ovulação ajuda. Para determinar quando ela ocorre, a mulher pode medir a temperatura basal. É um procedimento muito simples. Por via oral ou axilar, todos os dias de manhã, ela coloca o termômetro e anota a temperatura, que sobe em média um grau durante a ovulação.
No entanto, não se pode desconsiderar que a temperatura também sobe se houve relação sexual na noite anterior ou se a mulher apresenta qualquer alteração orgânica.

Quer dizer que se a mulher for medindo diariamente a temperatura e notar que ela subiu um grau, é sinal de que pode estar ovulando?
- É sinal, mas não é um dado absoluto. No entanto, medir a temperatura é útil em duas circunstâncias opostas: para as mulheres que estão querendo engravidar e para as que não querem e estão usando a tabelinha.

Existem outras técnicas que facilitam determinar o período em que ocorre a ovulação?
– Existem exames para medir o nível dos hormônios e o ultra-som que mostra aumento no volume dos ovários quando a moça está prestes a ovular.

Mulheres que tomam pílula durante muito tempo têm mais dificuldade de engravidar?
– Não têm. Por isso recomendo que não interrompam o uso da pílula até o momento em que desejarem engravidar. Com as pílulas atuais, grande parte das pacientes fica grávida assim que suspende a medicação. Eventualmente, algumas podem demorar mais um pouco enquanto o organismo se acomoda à nova situação.

E com o DIU, acontece do mesmo modo?
- A não ser que o DIU seja medicado com progesterona, o que retarda um pouco a gravidez, a mulher pode engravidar assim que o retira.

Problemas de Saúde na Mulher


Entrevista do Dr Drauzio Varella a Dr. Nilo Bozzini. Professor do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade São Paulo(USP).

Drauzio – Quais são os principais problemas de saúde que acometem a mulher no início da vida sexual?
Nilo Bozzini – Sem dúvida, hoje, o principal problema são as doenças sexualmente transmissíveis de maneira geral. O grande temor é a AIDS e isso de certa forma tem aproximado as pessoas do médico à procura de informações e orientação.
Embora o meio mais seguro de contracepção para a jovem seja a pílula anticoncepcional, ela não evita a transmissão de doenças. Nesse sentido, só a camisinha resolve.
No passado, quando a mulher nos procurava dizendo que não queria ficar grávida de jeito nenhum, a indicação era que tomasse o anticoncepcional e o parceiro usasse a camisinha. Hoje, é o que se recomenda para as mocinhas não só para evitar a gravidez indesejável, mas como prevenção de doenças. Às vezes, o namorado tem outras parceiras e elas acabam vítimas de uma situação que poderia ser evitada com o uso da camisinha.
Outra coisa que faz a menina procurar o médico é a leucorréia, isto é, o corrimento genital fisiológico que pode aparecer quando ela está para menstruar ou ovulando. A presença dessa secreção que pode ter sido provocada pela mudança das condições hormonais desperta o medo de ter adquirido alguma doença.
A propósito, é interessante lembrar que, com o tempo, as jovens vão reconhecendo as alterações que antecedem o fluxo menstrual e que as mais magras conseguem perceber quando estão ovulando.

Drauzio – Por que as mais magras?
Nilo Bozzini – É engraçado, mas as mais gordinhas não têm essa sensibilidade. Sabe-se que o ovário vai mudando de características durante toda a fisiologia menstrual. Ultra-sons feitos assim que termina a menstruação ou quando está prestes a começar mostram mudanças no volume dessas glândulas. Se a sensibilidade for mais apurada, às vezes, a menina sente um pouquinho de cólica ou apresenta leucorréia durante a ovulação.

Drauzio – Como se diferencia o corrimento fisiológico do corrimento patológico?
Nilo Bozzini – O corrimento fisiológico é parecido com a clara do ovo. A mudança das características de cor e odor e a incidência de prurido são sinais de que não é um corrimento normal. Isso não significa que a pessoa tenha contraído uma doença sexualmente transmissível. Pode ser uma infecção por Cândida, por exemplo.
Há casos em que a presença de corrimento requer que se peça o exame de Papanicolau, um exame de prevenção contra o câncer ginecológico.

Drauzio – Quando e por que deve ser feito o primeiro Papanicolau?
Nilo Bozzini – Apesar de as doenças precursoras do câncer de colo uterino serem de lenta evolução, obrigatoriamente toda a mulher que inicia a vida sexual deve fazer o Papanicolau. No caso de existirem outros problemas de saúde, por exemplo, se ela for imunodeprimida, esse exame deve ser antecipado e feito com mais freqüência.
Trata-se de um procedimento bastante simples. A paciente é colocada em posição ginecológica, o médico introduz o espéculo na vagina, retira material do orifício do colo do útero e da parede vaginal e manda analisar.
O exame de Papanicolau serve também para diagnóstico de doenças sexualmente transmissíveis ou do condiloma, uma afecção que pode, em alguns casos, levar a uma doença maligna.

Drauzio – O que é condiloma?
Nilo Bozzini – O condiloma pode ser clínico ou subclínico. Caracteriza-se por lesões com aspecto semelhante a bolinhas ou pequenas verrugas que aparecem na cavidade do trato genital, ou fora, na vulva. É um episódio que precisa ser valorizado e exige a realização de biópsia para determinar o tipo da doença a fim de prescrever o tratamento adequado.

Drauzio – Com que freqüência deve ser repetido o exame de Papanicolau?
Nilo Bozzini - Mulheres com vida sexual ativa devem fazer o exame de Papanicolau uma vez por ano. Eventualmente, esse tempo deve ser reduzido se elas apresentarem alguma alteração no colo do útero ou fizeram cauterização.

Drauzio – As mulheres geralmente são disciplinadas nesse aspecto…
Nilo Bozzini – As campanhas realizadas no sentido de orientar as mulheres sobre a importância do Papanicolau como prevenção do câncer uterino ajudaram muito a conscientizá-las sobre a necessidade de fazê-lo regularmente. No entanto, por incrível que pareça, são as mulheres mais velhas que, às vezes, relaxam e se esquecem de fazê-lo.

CORRIMENTO VAGINAL


O corrimento genital é queixa muito comum em Ginecologia. É a presença de maior volume de líquido que o necessário à lubrificação da vagina.
O conteúdo normal da vagina é uma mistura de substâncias, principalmente, da secreção das glândulas, da descamação celular, de neutrófilos e microrganismos saprófitas e da transudação dos capilares da parede vaginal.
Em certas condições fisiológicas, o conteúdo vaginal pode aumentar, como por exemplo na época da ovulação e na fase pré menstrual, durante a excitação sexual, no período neonatal, na puberdade, na gestação e no puerpério.
É muito difícil quantificar a secreção normal da vagina. Sob o ponto de vista médico, pode ser um sintoma ou sinal: sintoma quando o volume é tão grande a ponto de ser expelido pela vagina, fazendo com que a paciente perceba a região vulvar permanentemente úmida e suas roupas íntimas molhadas. Sinal, quando apesar do desconhecimento da mulher quanto ao aumento da secreção, à simples inspeção podemos observar a saída através da região vulvar de líquidos sem características fisiológicas.
As causas de corrimento são variadas, pode ter origem infecciosa, alérgica, entre outras.
A infecção pode se originar do crescimento da flora normal da vagina (oportunista), assim como da colonização de novos microrganismos introduzidos através do contato sexual e agravada pela promiscuidade.
É queixa comum nos consultórios de ginecologia.
O trato genital possui alguns mecanismos de defesa contra os microrganismos. Fatores mecânicos, como a pele da vulva, pêlos pubianos, os pequenos lábios e perfeita justaposição das paredes vaginais, já oferecem uma barreira inicial contra os agentes infecciosos.
O muco vaginal alcalino, bastante aumentado na gestação, constitui um tampão mecânico e bactericida eficaz.
Mais importante, entretanto, a autodefesa vaginal, como principal mecanismo contra a infecção. Decorre da presença de lactobacilos (bacilos de Döderlein), que produzem peróxido de hidrogênio e também possuem a capacidade de converter glicogênio em ácido lático. Este, por sua vez, diminui o pH, tornando-o ácido. O mecanismo de autodepuração é indiretamente regulado pelo estrogênio e, portanto, aumenta o substrato para a ação enzimática do lactobacilo.
Ou seja, sua vagina não é totalmente seca.Tem uma lubrificação natural de defesa.Quando esta está aumentada deve ser invetigada pois pode ser sinal de uma infecção, entre outras causas.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Perigo da Obesidade na Gravidez



O perigo da obesidade para as futuras mamães

A fome pode estar ligada a alterações psicológicas e emocionais

A gravidez é um momento delicado e requer cuidados especiais, principalmente quando o assunto é a alimentação que, nessa fase, tem relação direta com a saúde da mãe e a do bebê, tanto na vida intra-uterina como no futuro. A obesidade na gravidez é um problema comum e perigoso. Cerca de 45% das mulheres obesas no mundo ganharam peso após a gravidez. Para a psicóloga e criadora do método de emagrecimento Forma Leve, Yara Daros, a fome não é apenas uma necessidade fisiológica e também pode estar associada a alterações psicológicas e emocionais, como períodos de ansiedade e fragilidade, que podem levar à compulsão alimentar.

Segundo o RDI (Recommended Dietary Intakes), tabela com as recomendações universais sobre alimentação, gestantes a partir do terceiro mês de gravidez devem ingerir apenas 300 calorias a mais do que o normal, totalizando 2.800 calorias por dia. Considera-se que as gestantes de baixo peso ganham em torno de 15 kg; as de peso adequado, entre 10 a 12 kg; e as com sobrepeso ou obesas, entre 6kg e 7kg.

"Ganhar peso excessivamente no período gestacional ou iniciar esse período com sobrepeso ou obesidade são fatores de risco para complicações como diabetes, hipertensão e pré-eclâmpsia, principalmente no final da gestação. Esses males são duas a seis vezes mais comuns em mulheres com excesso de peso" ressalta Yara.

A obesidade durante a gestação também está associada ao maior índice de mortalidade dos recém-nascidos, principalmente no período perinatal, além do nascimento de crianças com defeito no tubo neural, estrutura que dá origem ao cérebro e à medula. A média de peso dos bebês também é maior que o normal, o que pode provocar riscos obstétricos durante o parto, contribuindo para a maior taxa de cesáreas.

"As mulheres que ganham muito peso durante a gravidez têm hábitos alimentares ruins e que, possivelmente, continuam depois do nascimento do bebê. Para as que iniciam a gravidez com sobrepeso ou obesidade, nenhum aumento calórico é recomendado", explica Yara. Ela complementa que, no entanto, o período de gestação não é o mais adequado para perder peso e é fundamental que a gestante com sobrepeso receba orientação alimentar adequada para não colocar a sua vida e de seu bebê em risco.

Dicas para uma gravidez saudável:

Beba água constantemente, de 1,5 a 2 litros por dia.

Consuma pelo menos três frutas por dia, além de legumes e verduras no almoço e jantar. Esses alimentos são ricos em fibras, que previnem a prisão de ventre, muito comum na gestação.

Fracione as refeições em seis a oito vezes ao dia, com pequenas quantidades, e mastigue devagar. Consuma alimentos com baixo teor de gordura e evite ingerir líquidos durante as refeições, para facilitar a digestão e evitar azia.

A carne é muito importante nesse período, por ser rica em ferro e proteínas. O ferro pode ser melhor absorvido se consumido com frutas ricas em vitamina C, como kiwi, laranja, limão, acerola, tangerina e abacaxi.

A amamentação é a grande fonte de perda de peso para a grávida. A mulher que amamenta perde de 400 a 500 calorias por dia. Isso equivale à quantidade de calorias perdidas em mais de uma hora de exercícios aeróbicos.

Tratamento da Calvície


Dr Drauzio Varella entrevista Dr. Luiz Carlos Cuce que é médico e professor de dermatologia no Hospital das Clínicas de São Paulo.

Drauzio – Algumas pessoas nascem com uma carga genética que favorece a queda dos cabelos numa idade muito precoce. Noutros o processo caminha mais devagar. Como respondem ao tratamento esses dois grupos?
Cuce – Se a impressão genética é forte no sentido de favorecer uma queda precoce, as medicações existentes no mercado devem ser tomadas por longos períodos com pequenos intervalos entre eles, porque parou, o cabelo torna a cair. Mesmo os que têm queda menos intensa, devem tomar a medicação por muito tempo. No entanto, as doses podem ser menores e os intervalos de descanso maiores. Quando o peso da carga genética é alto, geralmente se consegue retardar o processo, mas não se consegue obter a cura total.

Drauzio – Quais são os medicamentos que podem ser indicados para quem tem queda de cabelos?
Cuce – O mais conhecido é o Minoxidil, um vasodilatador de uso local com ação sobre os receptores androgênicos do pêlo, ou seja, que ajuda a bloquear os derivados da testosterona. Se a queda for acentuada, pode-se prescrever a versão mais concentrada, já que existem dois tipos de preparação: um mais concentrado e outro menos.
É preciso tomar cuidado porque nem tudo o que apresenta bons resultados para os homens pode ser indicado para as mulheres, uma vez que nelas os efeitos colaterais podem ser desagradáveis. Depois de passar o remédio no couro cabeludo, algumas desenvolveram barba na face e pêlos nos braços, pernas, etc.



Drauzio – Os homens podem usar sem problema a versão mais concentrada?
Cuce – Não podem. É preciso ir tateando a reação de cada um. Sempre é bom começar com uma concentração de 2% ou 3% e ir aumentando gradativamente. Os homens também não devem usar hormônios. Já vi casos desastrosos de indivíduos que usaram estrógeno e progesterona diluídos em loções ou álcool e que desenvolveram sinais femininos importantes. O crescimento da mama, por exemplo, requer intervenção cirúrgica para retirar as glândulas mamárias hipertrofiadas, uma vez que elas não regridem mais depois da suspensão do tratamento.
Já conheci gente desesperada porque está perdendo cabelo e é capaz de loucuras para corrigir esse mal. Tudo tem que ser feito com parcimônia e cuidado. Existem profissionais não habilitados para atuar nessa área que cometem alguns erros crassos.



Drauzio – Qual sua experiência com a Finasterida, medicamento indicado para homens por via oral?
Cuce - Em termos de resultados, pode-se dizer que se consegue a longo prazo de 20% a 30% no máximo de crescimento de cabelo e que 40% não responde absolutamente à Finasterida.
Se a impressão genética for forte, o tratamento precisa ser mantido por toda a vida com doses terapêuticas iguais desde o início e curtos intervalos de repouso a partir de um ano de medicação. Indivíduos com menor influência genética devem tomar o remédio por um ano, um ano e meio. Em seguida, as doses passam a ser menores e mais distanciadas no tempo.
Para as mulheres existe, ainda, a flutamida que apresenta excelentes resultados para a queda de cabelo feminino, mas seu uso precisa ser controlado para acompanhar os efeitos colaterais. Elas podem também usar hormônios por via oral ou diluídos em loção e aplicados na área afetada pela Alopecia.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A Consulta Médica


Como aproveitar melhor o tempo da consulta médica

Durante uma consulta médica, é freqüente que os pacientes ou o próprio médico desviem do assunto em questão e discutam pontos não tão importantes para o esclarecimento da doença.
Por isso preparamos algumas orientações para que você, paciente, possa aproveitar melhor o tempo que passam com os médicos.
O que é uma consulta médica? Consultar um médico significa obter informações a respeito de algum problema de saúde. Você será questionado sobre uma série de coisas e deve dar as respostas bem objetivas e sinceras sobre o problema em questão. Veja algumas dicas para uma boa consulta.

Horário
Nunca chegue atrasado. Você certamente estará atrapalhando outras pessoas. Da mesma forma chegar muito adiantado também poderá causar transtorno nas acomodações e horários de funcionamento do consultório. Programe-se para chegar na hora marcada.

Acompanhantes
O acompanhante só é necessário se puder dar informações úteis sobre o paciente. Caso contrário, pode haver até um certo constrangimento na presença de acompanhantes não familiarizados com o problema.

Cronologia
Procure fazer um resumo do seu problema antes da consulta. Coloque os fatos em ordem cronológica, do início do quadro até o dia da consulta. Se possível escreva, para não esquecer.


Medicação
Anote todos os medicamentos que você toma habitualmente ou tomou durante o período em que esteve adoentado, mesmo se, aparentemente, não tenham relação com o quadro. Se possível, leve as receitas destes medicamentos.

Exames
Leve todos os exames relacionados à sua doença atual. Nunca jogue fora exames antigos, mesmo os normais. É muito importante saber que, naquela época, você estava bem. Assim, o médico pode ter uma idéia aproximada da época de instalação da doença.

Dúvidas
Esclareça todas as suas dúvidas na consulta. Se precisar, anote o que o médico lhe disse, para evitar telefonar e perguntar o que já foi discutido.

Lembre-se

O resultado do tratamento depende de você, de suas informações, de sua dedicação em tomar a medicação e dos cuidados recomendados.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O Que É Osteoporose


O que é
A osteoporose é uma doença que enfraquece os ossos, aumentando o risco de inesperadas e repentinas fraturas. Osteoporose, literalmente, significa osso poroso. Significa a perda de massa e força do osso. Em geral, a doença progride sem nenhum sintoma ou dor. Muitas vezes, a osteoporose não é descoberta até que um osso fraco se quebre de forma bastante dolorosa. Isso costuma acontecer nas costas ou nas costelas. Infelizmente, depois que acontece uma fratura por causa da osteoporose, o risco de ter outra aumenta. E a quebra dos ossos pode ser um processo desgastante. Mas existem algumas formas de se prevenir a osteoporose. Caso você já tenha, alguns tratamentos podem amenizar a doença.

Como a osteoporose está relacionada à menopausa?
Há uma ligação direta entre a falta de estrogênio depois da menopausa e o desenvolvimento da osteoporose. A menopausa precoce e qualquer outro processo prolongado no qual os níveis de hormônios estejam baixos e a menstruação ausente pode levar à perda de massa óssea.

Como posso saber se eu tenho osteoporose?
Um exame indolor e bem eficaz pode dizer tudo sobre o seu osso. A densitometria óssea é uma espécie de raio-x que usa uma quantidade muito pequena de radiação para medir a força do seu osso.

Como a osteoporose é tratada
Podem ser:
Terapia hormonal
Medicamentos
Cálcio e vitamina D
Exercícios de levantamento de peso
Injeções de substâncias que levam à formação de osso novo

Devo considerar a terapia hormonal?
A terapia hormonal é considerada útil na prevenção ou alívio da perda de massa óssea. É recomendada para mulheres que já entraram na menopausa e que: Tiveram uma menopausa precoce
Têm pouca massa óssea
Possuem vários outros riscos de osteoporose Alguns riscos deste tratamento: câncer de mama, coágulos, infarto, doenças do coração e na vesícula biliar Caso você esteja considerando usar a terapia hormonal apenas para evitar a osteoporose, converse com seu médico. Ele poderá lhe indicar outros tratamentos.

Como me proteger de fraturas se tenho osteoporose?
Remova a bagunça da sua casa ou do escritório
Instale barras de apoio no banheiro
Coloque uma iluminação apropriada
Ponha um piso antiderrapante e remova os tapetes

Como escolher o melhor método contraceptivo



Pílula, injeção, DIU, adesivos e anéis. São diversos os contraceptivos à base de hormônios, o que acaba confundindo a mulher na hora da escolha do melhor método. Mas quais são os benefícios de cada um deles? Qual é o que mais combina com a sua rotina diária?

Para te ajudar na escolha do contraceptivo que mais se encaixe nas suas necessidades, o MinhaVida conversou com Rosa Maria Neme, ginecologista do Hospital Israelita Albert Einstein. Ela afirma que conversando com um especialista você pode sugerir aquele que mais combine com você.

-Os injetáveis: Eles são super práticos, mas podem atrapalhar seu ciclo menstrual devido às doses de longa duração. São uma ótima opção para quem se esquece de tomar as pílulas diárias. "Os contraceptivos injetáveis podem ser usados mensalmente ou trimestralmente. O problema é que eles causam muita irregularidade do ciclo menstrual, o que pode confundir a mulher", explica ginecologista.

-DIU de progesterona: Ele tem uma duração enorme, o que proporciona mais tranqüilidade, além e possuir baixar dosagem de hormônios. "O DIU de progesterona pode permanecer durante 5 anos dentro do útero, além de ter a vantagem de possuir uma baixa dosagem de hormônio e não influenciar no ciclo hormonal (ovulação). Ele também diminui o sangramento vaginal, podendo, em alguns casos, até suspender a menstruação", afirma a especialista.

Adesivos e anel vaginal: Os dois apresentam uma dosagem baixa e são super práticos. Mas, precisam de uma recomendação médica. A quantidade de hormônios pode variar nas duas opções de contraceptivos. Eles podem ser trocados semanalmente ou a cada 3 semanas, sendo ideais para mulheres que esquecem de tomar a pílula diária", diz Rosa Maria Neme.

- Pílula do dia seguinte: Também considerada um contraceptivo hormonal a pílula do dia seguinte só deve ser usada em casos de emergências. "Composta de uma dose mais alta de progesterona, ela evita a gestação em casos especiais (quando a camisinha falha, por exemplo). Mas, não pode ser usada com freqüência, caso contrário, pode causar sérios problemas hormonais", alerta a especialista.

Além do anticoncepcional
Os contraceptivos hormonais podem servir de ajuda extra para mulheres, basta a escolha certa para sentir diversos benefícios, para o corpo. "Os métodos hormonais podem beneficiar a mulher em diferentes aspectos. Mas para isso acontecer é preciso a escolha do ideal para seu organismo. Entre os principais e mais comuns benefícios podem citar a melhora da pele (diminuição drástica da pele ressecada), nas cólicas menstruais, no sangramento vaginal (que tende a diminuir) e nos sintomas da TPM, por exemplo", explica a especialista.

Mito
A especialista afirma que usar anticoncepcionais por mais de um ano não prejudica a capacidade de engravidar. "Isso é um mito, depois de um mês de interrupção do método, as chances de engravidar voltam ao normal", explica.

Olho aberto
Tomar anticoncepcionais sem restrição médica pode resultar em diversos males para a saúde. "Os anticoncepcionais sugerem diversos riscos para saúde da mulher, quando consumidos de forma incorreta. Mulheres fumantes, acima dos 35 anos, devem evitar contraceptivos que contenham o estrógeno sintético, chamado etinilestradiol", alerta a ginecologista. A precaução evita problemas graves, como a trombose.
A tabela acima mostra um esquema prático com todos os métodos comparados.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Opções de Tratamento para HPV

O vírus pode ser eliminado espontaneamente ou pode progredir gradativamente. Se a pessoa for imuno-competente, terá maior facilidade de debelar a infecção. Muitas vezes, ela elimina o vírus e fica curada sem saber que o problema ocorreu.
Se por algum motivo estiver imuno-suprimida, porque se infectou com o vírus da Aids, toma medicamentos para não rejeitar um órgão transplantado, ou é fumante, apresentará condições mais favoráveis à evolução do vírus. Por outro lado, a persistência do vírus no organismo por muitos anos (a não ser que a pessoa seja imuno-suscetível, a evolução costuma ser lenta) tem importância muito grande para o desenvolvimento das doenças a ele associadas.
Quanto mais precoce o diagnóstico, maior a possibilidade de prescrever tratamentos mais conservadores. Uma lesão inicial tem mais chance de ser tratada com sucesso.
No entanto, o tratamento depende do grau da lesão, do nível de imunidade da pessoa e do tempo de evolução da doença, mas sempre se procura começar pela forma mais conservadora. Hoje é possível monitorar com o colposcópio como a paciente está reagindo. O objetivo do tratamento da infecção pelo HPV é a retirada da lesão que ele causa. Lesões restritas, pequenas e superficiais podem ser tratadas só com a aplicação de um agente químico ou pela cauterização clássica. Lesões mais graves exigem eventualmente cirurgia.
Como não existem agentes antivirais específicos para combater o papilomavírus, é preciso estimular o sistema imunológico da pessoa para que ela mesma combata a infecção. Por isso, se recomenda que pare de fumar, faça exercícios físicos e tenha boa alimentação.
Quanto mais precoce for o diagnóstico, menor a lesão e, conseqüentemente, menor a agressividade do vírus e do tratamento. Atualmente, além da cauterização química e pelo cautério clássico, existem recursos terapêuticos avançados, como o laser, por exemplo, que reconstituem com bastante integridade a região afetada.
Não há dúvida de que, nos casos em que o câncer está instalado e há invasão dos tecidos próximos, a indicação pode ser cirúrgica. Entretanto, a necessidade de cirurgias mais amplas e da aplicação de químio e/ou radioterapia é avaliada conforme o grau de agressividade e avanço da doença no corpo da pessoa.

Primeira Consulta ao Ginecologista


Nem faz tanto tempo assim que as mocinhas menstruavam mais tarde e iam pela primeira vez ao ginecologista, já casadas, depois que engravidavam. Antes disso, só consultavam um médico se tinham algum problema sério de saúde, na maior parte das vezes, um velho amigo da família, um clínico geral.
Hoje, as meninas menstruam mais cedo e o início da vida sexual é mais precoce. Teoricamente, antes que isso acontecesse, seria o momento ideal para a primeira consulta ao ginecologista. No entanto, muitas mães têm medo de que, levando a filha adolescente ao ginecologista, possam estar incentivando sua liberação sexual. Puro engano! Quando a garota decide que chegou o seu momento, com ou sem a aprovação materna, iniciará a vida sexual e é melhor que esteja informada e protegida contra doenças sexualmente transmissíveis (DST) e gravidez.
COMBATENDO A INIBIÇÃO - Tudo é uma questão de saber lidar com o próprio corpo e depende de como a menina foi criada. Se lhe ensinaram que mexer nos genitais é algo errado e pecaminoso, dificilmente terá naturalidade para tocá-los. Agora, se desde de criança lhe disseram o contrário, ela usufruirá algumas vantagens. Primeiro, porque irá conhecer melhor seu organismo. Segundo, porque perderá o medo de colocar, por exemplo, um absorvente íntimo, um diafragma ou anéis hormonais, métodos de contracepção que implicam a necessidade de manipulação dos órgãos genitais. Além disso, sob o ponto de vista da sexualidade propriamente dita, é fundamental que ela perca esses medos todos.
IMPORTÂNCIA DA ORIENTAÇÃO MATERNA - O ideal seria que a primeira consulta fosse feita antes do início da vida sexual. Todavia, a experiência me diz que as meninas procuram o ginecologista depois disso. A maioria o faz por sugestão da mãe que, ao tomar conhecimento do fato, encaminha a filha ao médico não para fazer exames, mas para receber orientação em termos de prevenção de doenças e de gravidez indesejada. Nessa ocasião, é importante tranqüilizar a menina a respeito do exame ginecológico porque o maior temor é que ele seja traumático.
Na verdade, a criança bem orientada pela mãe, que entrou tranqüila no período menstrual, não precisa necessariamente ir ao ginecologista. No caso, porém, de a mãe sentir-se insegura para desempenhar esse papel, deve consultar a filha sobre a possibilidade de receber orientação mais visual e técnica de um médico ginecologista. Nesse primeiro contato, não há necessidade de exames nem da mesa ginecológica. O mais importante é o médico cativar a adolescente e convencê-la de que tem um aliado com o qual poderá contar para qualquer emergência, e que ela pode procurá-lo sem depender da mãe para trazê-la ou não.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Anorexia Nervosa


Anorexia nervosa é um distúrbio alimentar resultado da preocupação exagerada com o peso corporal, que pode provocar problemas psiquiátricos graves. A pessoa se olha no espelho e, embora extremamente magra, se vê obesa. Com medo de engordar, exagera na atividade física, jejua, jejua, vomita, toma laxantes e diuréticos.
É um transtorno que se manifesta principalmente em mulheres jovens, embora sua incidência esteja aumentando também em homens. Às vezes, os pacientes anoréxicos chegam rapidamente à caquexia, um grau extremo da desnutrição e o índice de mortalidade chega a atingir 15% a 20% dos casos.

Sintomas
·Perda exagerada de peso em curto espaço de tempo sem nenhuma justificativa. Nos casos mais graves, o índice de massa corpórea chega a ser inferior a 17;
·Recusa em participar das refeições familiares. Os anoréxicos alegam que já comeram e que não estão mais com fome;
·Preocupação exagerada com o valor calórico dos alimentos. Esses pacientes chegam a ingerir apenas 200kcal por dia;
·Interrupção do ciclo menstrual (amenorréia) e regressão das características femininas;
·Atividade física intensa e exagerada;
·Depressão, síndrome do pânico, comportamentos obsessivo-compulsivos;
·Visão distorcida do próprio corpo. Apesar de extremamente magras, essas pessoas julgam-se com excesso de peso;
·Pele extremamente seca e coberta por lanugo (pêlos parecidos com a barba de milho).

Causas
Diversos fatores favorecem o aparecimento da doença: predisposição genética, o conceito atual de moda que determina a magreza absoluta como símbolo de beleza e elegância, a pressão da família e do grupo social e a existência de alterações neuroquímicas cerebrais, especialmente nas concentrações de serotonina e noradrenalina.

Recomendações
·Algumas profissões são consideradas de risco para a anorexia. Bailarinas, jóqueis, atletas olímpicos, precisam estar atentos para a pressão que sofrem para reduzir o peso corporal;
·A faixa etária está baixando nos casos de anorexia. A família precisa observar especialmente as meninas que disfarçam o emagrecimento usando roupas largas e soltas no corpo e se recusam a participar das refeições em casa;
·Às vezes, os familiares só se dão conta do que está acontecendo quando, por acaso, surpreendem a paciente com pouca roupa e vêem seu corpo esquelético, transformado em pele e osso. Nesse caso, é urgente procurar atendimento médico especializado;
·O ideal de beleza que a sociedade e os meios de comunicação impõem está associado à magreza absoluta. É preciso olhar para esses apelos com espírito critico e bom senso e não se deixar levar pela mensagem enganosa que possam expressar;
·Se o paciente anoréxico estiver correndo risco por causa da caquexia e dos distúrbios psiquiátricos deve ser internado num hospital para tratamento médico.

Tratamento
A reintrodução dos alimentos deve ser gradativa. Caso contrário provocaria grande sobrecarga cardíaca. Às vezes, é necessária a internação hospitalar para que essa oferta gradual de calorias seja controlada por nutricionistas.
Não há medicação específica para a anorexia nervosa. Medicamentos antidepressivos podem ajudar a atenuar sintomas depressivos, compulsivos e de ansiedade. Em geral, o tratamento de pacientes anoréxicos exige o trabalho de equipe multidisciplinar.
http://www.drauziovarella.com.br/arquivo/arquivo.asp?doe_id=63

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O que é índice glicêmico?


Todos os carboidratos são digeridos e transformados em glicose, o combustível do organismo. Quando essa transformação é rápida, diz-se que esses alimentos possuem um IG alto. Nesses casos, a glicemia aumenta rapidamente e uma grande quantidade de insulina é secretada.
A ingestão constante de alimentos de alto IG faz o pâncreas secretar insulina continuamente para levar essa glicose para dentro das células dos músculos, onde é transformada em glicogênio. Se a ingestão de alimentos com alto IG continua, o corpo começa a converter o excesso de glicose em triglicérides, que são armazenados na forma de gordura.
Ao mesmo tempo, a secreção continuada de altos níveis de insulina cria um mecanismo de resistência no organismo. Uma das consequências é o aumento da produção de insulina.
Tem início aí um círculo vicioso: a ingestão frequente de alimentos que de elevado IG leva o organismo a se tornar resistente à insulina e a pessoa fica vez mais obesa porque quanto maior for a quantidade de glicose no sangue, mais insulina o pâncreas produz para fazer essa glicose entrar na célula para diminuir o nível sanguíneo da glicose e assim o círculo vicioso está instalado, com a resistência do organismo à glicose estabelecida. A pessoa engorda cada vez mais, isto é cada vez mais o seu nível de glicose aumenta, mais insulina é produzida e mais resistente ela fica.
Para sair deste estado, deve-se optar por alimentos de menor índice glicêmico. Assim, a insulina não será tão solicitada e a resistência diminuirá, permitindo que a glicose se mantenha em níveis menores no sangue. Isso fará diminuir também a taxa dos triglicérides.
Quando a demanda de insulina é menor, a manutenção da glicemia é melhor e há uma redução da lipidemia. Dessa maneira se consegue prevenir e tratar doenças crônicas como a obesidade, diabetes, as doenças cardíacas e até alguns tipos de cânceres.
Como surgiu a idéia de índice glicêmico?
O IG é um indicador da velocidade de transformação do carboidrato dos alimentos em glicose. Ele foi criado em 1981 com o intuito de ajudar atletas e diabéticos a manterem estáveis os seus níveis de açúcar. Para isso, elaborou-se uma tabela de 1 a 100 levando em conta a velocidade de um alimento para elevar a glicose sanguínea. Os alimentos que são convertidos em glicose mais lentamente que o pão branco, por exemplo, tem IG menor que 100. Os que são convertidos mais rapidamente do que o pão branco, têm IG que 100.
Não se deve esquecer que a resposta glicêmica está relacionada com a natureza do amido (amilose e amilopectina), a quantidade de monossacarídeos (frutose, galactose), a presença de fibras, a cocção ou o processamento, o tamanho das partículas, a presença de fatores antinutricionais (fitatos) e a proporção de macronutrientes (proteína e gordura). Além disso, essa resposta também é influenciada pela quantidade consumida e pela maneira como esse alimento é preparado.
Os pesquisadores descobriram que alimentos como o leite ou as frutas, que tem baixo IG poderiam ser acrescentados com moderação nas suas dietas, ao contrário do que se pensava. O açúcar, por exemplo, que é desprovido de vitaminas, minerais e fibras, tem IG menor que a batata.
Para que serve o índice glicêmico?
A maior parte das dietas se baseia na ingestão de pouca quantidade de carboidratos. Isso delimita um grupo de alimentos e reduz a ingestão total de calorias. Quando se consome menos calorias do que se precisa, se perde peso. Ao comer menos carboidratos, o corpo queima as gorduras e utiliza os carboidratos armazenados na forma de glicogênio para obter energia. Quando o corpo queima o glicogênio, a água é liberada das células e há perda de peso.
Queimar gorduras sem a presença dos carboidratos faz a pessoa entrar num estado denominado de cetose. Nessa condição, a pessoa tem menos apetite ou vontade de comer. A cetose prolongada pode esgotar as reservas minerais dos ossos, fazendo com que fiquem porosos e quebradiços.
Os diabéticos, os atletas, as pessoas obesas que tem uma resposta da insulina insensível ou resistente ao nível sanguíneo da glicose, se beneficiam em manter os níveis sanguíneos de glicose estáveis ou baixos, e o conhecimento do índice glicêmico é importante e portanto também útil para as pessoas que estão obesas ou que querem perder peso, mas deve-se ter em conta que o índice glicêmico não leva em conta os nutrientes do alimento, e portanto uma dieta não pode considerar somente o índice glicêmico. Saiba que os alimentos ricos em gordura devem ter um índice glicêmico baixo.
Qual é o significado de índice glicêmico na sua dieta?
Uma dieta com alimentos de baixo IG pode ajudar a perder peso, a controlar o diabetes e a aumentar a resistência aos exercícios. Portanto a observação do IG dos alimentos também é útil para as pessoas que tenham patologias inflamatórias ou degenerativas.Os alimentos de baixo IG são mais ricos em fibras que favorecem uma maior distenção gástrica aumentando a sensação de saciedade.
Mais http://dinakaufman.com/artigos/dietaobesidade-e-indice-glicemico/

Comportamento compulsivo


As compulsões, comportamentos compulsivos ou aditivos são hábitos aprendidos e seguidos por alguma gratificação emocional, normalmente um alívio de ansiedade e/ou angústia. São hábitos mal adaptativos que já foram executados inúmeras vezes e acontecem quase automaticamente.
Diz-se que esses comportamentos compulsivos são mal adaptativos porque, apesar do objetivo que têm de proporcionar algum alívio de tensões emocionais, normalmente não se adaptam ao bem estar mental pleno, ao conforto físico e à adaptação social. Eles se caracterizam por serem repetitivos e por se apresentarem de forma freqüente e excessiva. A gratificação que segue ao ato, seja ela o prazer ou alívio do desprazer, reforça a pessoa a repeti-lo mas, com o tempo, depois desse alívio imediato, segue-se uma sensação negativa por não ter resistido ao impulso de realizá-lo. Mesmo assim, a gratificação inicial (o reforço positivo) permanece mais forte, levando a repetição.
Por exemplo:
Se a pessoa é acometida pela idéia (contra sua vontade) de que está se contaminando através de alguma sujeita nas mãos, terá pronto alívio em lavar as mãos. Entretanto, se tiver que lavar as mãos 40 vezes por dia, ao invés de adaptar essa atitude acaba por esgotar.
Se a pessoa é acometida pela idéia de que seus pais sofrerão algum acidente fatal, poderá conseguir alívio da angústia gerada por esses pensamentos se, por exemplo, bater 3 vezes na madeira... Mas tiver que bater na madeira 40 vezes por dia, ao invés de aliviar, essa atitude acaba por constranger e frustrar.
Se a pessoa tem um pensamento incômodo de que aquilo que acabou de comer poderá engordá-la, terá alívio dessa sensação provocando o vômito, ou tomando laxantes.... Causas
Não há uma causa bem estabelecida para a ocorrência de comportamentos compulsivos. Pode-se falar em vulnerabilidades e predisposições, seja de elementos familiares, tais como os hábitos conseqüentes à extrema insegurança e aprendidos no seio familiar, seja por razões individuais e relacionados às vivências do passado e a ao dinamismo psicológico pessoal, seja por razões biológicas, de acordo com o funcionamento orgânico e mental.
Assim, comportamentos compulsivos ou aditivos podem ser entendidos como atitudes (mal-adaptadas) de enfrentamento da ansiedade e/ou angústia, trazendo conseqüências físicas, psicológicas e sociais graves. Algumas pessoas apresentam comportamentos com caráter compulsivo, que levam a conseqüências negativas em suas vidas, como por exemplo, recorrer ao uso abusivo do álcool, das drogas, à fuga do convívio social, ao hábito intempestivo do vômito e às mais variadas atitudes. Essas pessoas podem ainda comprar compulsivamente, sem levar em conta o saldo bancário, comer compulsivamente, mesmo quando não se tem fome, jogar, praticar atividades físicas em excesso, etc.
Complicações
Normalmente nesse tipo de problema, classificados em sob o título de transtornos do espectro obsessivo-compulsivo (TOC), a pessoa acaba tornando-se dependente dessas atitudes, as quais ocupam um espaço importante no seu cotidiano. Em alguns casos ocorrem-se danos físicos, como na pessoa com vigorexia, que precisa malhar (exageradamente) todos os dias e por longas horas, ou lesões na pele das mãos devido aos rituais de lavar continuadamente, ou escoriações quando há auto-escoriações, calvície quando há tricotilomania, ou desnutrição quando a compulsão é por vômitos (bulimia) e assim por diante.
Normalmente essas pessoas sentem desconforto emocional se não fizerem esses comportamentos, apresentam grande angústia ou ansiedade na ausência ou na impossibilidade em realizar a atividade compulsiva. Socialmente a ocorrência de tais comportamentos pode resultar em prejuízo no trabalho, na conclusão de tarefas, na liberdade de sair de casa, na vergonha do contacto com outras pessoas, etc.
A repetição desses comportamentos e o aumento gradual da freqüência deles acabam caracterizando um verdadeiro processo de dependência. Alguns buscam o alívio do desprazer das emoções de angústia e ansiedade, do afastamento de pensamentos incômodos. Quando se pretende a busca do prazer pode haver adicção química, que é o consumo exagerado de substâncias.
Didaticamente podemos dizer que existe uma grande semelhança entre comportamentos compulsivos e dependência química: a angústia provocada pela ausência, os sintomas emocionais da abstinência, tais como tremores, sudorese, taquicardia, etc, o caráter compulsivo e repetitivo, a importância que essa atitude ocupa na vida da pessoa, o comprometimento na qualidade da vida familiar, profissional, afetiva e social. É assim que, por exemplo, o ato de jogar tem praticamente o mesmo papel que a droga, ou álcool, a cocaína e outras substâncias psicoativas.

Leia na íntegra http://www.cerebromente.org.br/n15/diseases/compulsive.html

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A cirurgia bariátrica na cura para diabetes tipo 2


Até ontem, passaria por lunático quem pensasse em cirurgia para curar diabetes. Hoje, essa discussão está na ordem do dia.Na década de 1950, houve relatos de pacientes diabéticos portadores de úlceras ou câncer gástrico que, submetidos a cirurgias nas quais o estômago havia sido retirado e o trânsito desviado para porções mais baixas do intestino delgado (gastrectomia com reconstrução em Y-de-Roux), apresentavam reduções dramáticas dos níveis de glicose no sangue.

Quando Edward Mason, na Universidade de Iowa, empregou as mesmas técnicas no tratamento da obesidade grave (cirurgia bariátrica), notou efeito semelhante.

Nessas cirurgias, o volume do estômago geralmente é reduzido a míseros 5% do original. Como conseqüência, as refeições devem ser ingeridas em quantidades compatíveis com a nova condição, sob pena de mal-estar intenso (dumping). Se o paciente operado continuasse com a fome de antes, seria de esperar que tomasse sorvetes e leite condensado aos goles, o dia inteiro.Embora esses casos ocorram, eles são eventuais: a maioria consegue adotar estilos de alimentação mais saudáveis. E, sente bem menos fome do que antes.

Embora uma publicação recente tenha demonstrado que a cirurgia bariátrica reduz a mortalidade por complicações do diabetes em 92%, os riscos de hipoglicemia, infecções, cálculos na vesícula e a necessidade de novas operações para corrigir hérnias e flacidez de pele ainda deixam muitos especialistas relutantes na hora de indicá-la.